A explicação de Frank Zappa para sua abordagem como guitarrista solo
Por André Garcia
Postado em 12 de dezembro de 2022
Um dos artistas mais distintos de todos os tempos, Frank Zappa foi muitas coisas: guitarrista, vocalista, compositor, produtor… Em resumo, ele foi uma mistura para lá de excêntrica de rockstar, maestro, cientista louco e crítico de arte.
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Não foram poucas as ocasiões em que Zappa atacou de guitarrista solo, geralmente empunhando sua tradicional Gibson SG vermelha com escudo preto e alavanca cromada — por ele batizada Roxy. Em trecho de entrevista disponível no Instagram, foi perguntado se ele se considerava um grande guitarrista solo. Em resposta, ele refletiu sobre o que é ser um guitarrista solo:
"Bem... eu sou especializado. O que eu faço na guitarra tem pouco a ver com o que as outras pessoas fazem na guitarra. Geralmente, os guitarristas solo que você ouve tocando no palco já ensaiaram exaustivamente. Eles vão lá e tocam a mesma coisa toda noite, e acertam na mosca. É impecável."
"Minha teoria é a seguinte: eu tenho uma noção básica de como operar o instrumento e eu tenho imaginação. Na música, quando chega a hora do solo sou eu contra as leis da natureza: não sei o que vou tocar, não sei o que vou fazer, só sei mais ou menos quanto tempo tenho. É um jogo onde recebo um pedaço de tempo e tenho que decorá-lo."
"Dependendo de quão intuitiva seja a seção rítmica te dando suporte, você pode fazer coisas literalmente impossíveis de serem pensadas sentado aqui. Mas você vê pessoas fazendo isso diante de seus olhos, nessa situação."
Frank Zappa
Nascido nos Estados Unidos em 1940, Frank Zappa iniciou sua louca e excêntrica carreira musical em 1963, em aparição na televisão tendo como instrumento uma bicicleta.
Em 1964, ele formou e liderou The Mothers of Invention, fazendo sucesso com álbuns clássicos como "Freak Out!" (1966) e "We Are Only In It For the Money" (1968) — cuja capa ousava parodiar o "Sgt. Pepper's...", dos Beatles. Após a separação da banda, se lançou como artista solo com "Hot Rats" (1969)
Ao longo da década de 70, Zappa se tornou alucinadamente prolífico, gravando tantos álbuns que não havia gravadora que desse conta de lançar: quando um disco começava a ser promovido, ele já entregava outro! A solução foi ele abrir sua própria gravadora, algo corriqueiro hoje em dia, mas raro e ousado na época.
Na virada dos anos 70 para a década seguinte, ele teve em sua banda Steve Vai. Com apenas 20 anos, o guitar hero teve ali a primeira grande oportunidade de sua carreira.
Frank Zappa seguiu ativo e aclamado ao longo dos anos 80, até onde sua saúde permitiu. Em 1988, fez sua última turnê, e em 1990 foi diagnosticado com câncer de próstata, que o vitimou em 1993.
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