O músico que aparece na capa de álbum clássico do Rush mas nunca chegou a ouvir o disco
Por Bruce William
Postado em 11 de março de 2023
"Moving Pictures" é o oitavo álbum de estúdio do Rush, lançado em 1981. É considerado um dos melhores trabalhos da banda canadense além de um dos mais influentes na história do rock, sendo um álbum essencial para fãs e admiradores do gênero, tendo sido um sucesso comercial ao alcançar a posição #3 na Billboard 200 nos Estados Unidos e a certificação de platina quádrupla no Canadá.
O álbum é conhecido por sua técnica instrumental complexa, letras inteligentes e fortes influências mesclando rock progressivo, new wave e do hard rock. Dentre as faixas de destaque estão "Tom Sawyer", uma das mais conhecidas e populares da banda, "Limelight", "Red Barchetta" e "YYZ", esta última sendo uma instrumental que mostra a habilidade técnica e musical do Rush, o que fazem do "Moving Pictures" ser, indiscutivelmente, um álbum essencial para qualquer fã de rock ou de música em geral.
E algo que sempre intrigou os fãs da banda é o significado da arte gráfica do álbum, que associamos imediatamente ao som embora sem compreender exatamente o que está acontecendo ali. Conforme relata o Rush Fã Clube Brasil: "Na capa, há funcionários de uma empresa de mudanças que carregam algumas pinturas, e há também pessoas chorando ao fundo pois as pinturas são emocionalmente tocantes para elas. Finalmente, na contra-capa, percebemos uma equipe de filmagens fazendo uma pintura em movimento de toda a cena. Trata-se de um tributo ao duplo sentido, aos trocadilhos e aos jogos de palavras".
O conceito da capa do "Moving Pictures" do Rush
Hugh Syme, artista gráfico próximo da banda, criou os conceitos diferentes para aquelas cenas que "se moviam", explica o site: "Queria fazer algo simples e que desse um toque de Fellini na interpretação do título do disco. Precisava ser cinematográfico, pois minha ideia inicial era bem pobre e sem graça, como um quadro apenas sendo removido de uma parede branca", disse Hugh. Geddy declarou que as músicas do disco eram como "pequenos filmes que se moviam", e que o grupo estava numa fase de cunhar canções de maneira cinematográfica, com as letras de Peart criando filmes na cabeça dos ouvintes. Esse impacto emocional desejado pelo trio acabou dando nome ao disco e influenciando toda a concepção de Syme".
Em 2021, no lançamento da edição comemorativa de 40 anos do álbum, foram reveladas cenas extras do ensaio fotográfico feito por Deborah Samuel, usado para compor a arte gráfica. E conforme relatou o Classic Rock, uma dessas imagens mostra de forma clara o rosto do homem que carregava o icônico retrato do logotipo Starman do Rush subindo os degraus da Assembleia Legislativa de Ontário: trata-se de Kelly Jay, vocalista da banda Crowbar.
"Você é a primeira pessoa que quer falar comigo", disse Kelly ao ser procurado pela Classic Rock pouco antes de morrer aos 77 anos de idade, em 2019. "Até agora, ninguém sabia que eu estava naquela capa. Conhecia Geddy e os meninos, a gente andava nos mesmos lugares. A minha banda era a favorita do ex-primeiro-ministro canadense Pierre Trudeau e tínhamos um grande número de seguidores, mas não chegamos a ser tão grandes quanto o Rush. Nos víamos de vez em quando, mas a principal conexão era a fotógrafa Deborah Samuel, que eu e minha esposa na época, Kerry Knickle, conhecíamos. Ela me convidou para participar do ensaio fotográfico. Eu não sabia muito sobre a música do Rush. Éramos como Mozart e eles como Wagner, eles usavam muitas notas para tocar!" diz, entre risos.
Kelly contou que a esposa dele era a maquiadora e ela aparece na capa interna do álbum, revelando ainda que eles não receberam pelo trabalho pois foi uma troca de favores com a fotógrafa. "O Crowbar continuou como banda e nossa música 'Oh, What A Feeling' parece ter se tornado um clássico. Escrevi quinhentas músicas desde então. Eu tenho uma cópia (do "Moving Pictures") mas nunca ouvi o disco. É uma peça legal de arte e a coisa incrível de tudo isso é que leva as pessoas a descobrir por que foi feito, quem esteve envolvido, e você descobre muita coisa. No entanto, você é a primeira pessoa que quer falar comigo. Até agora, ninguém sabia que eu estava naquela capa".
Voltando ao Rush Fã Clube Brasil: O divertido conceito da capa para Moving Pictures custou caro ao Rush. A Mercury não quis assumir os custos extras, e a banda precisou desembolsar cerca de 10 mil dólares para garantir a qualidade do trabalho. Tudo em nome da arte e dos quadros que se movem. "Moving Pictures" é o retrato de uma visão compartilhada por três músicos sedentos por usar o passado apenas como arma para a conquista do futuro. Sete temas sensacionais faziam os anos de 1970 ficarem de vez para trás. Uma nova década surgia para aqueles jovens músicos geniais, todos ainda na faixa dos 27 e 28 anos de idade.
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