Kiss: A faixa do "Crazy Nights" que poderia ter sido um hit, segundo Bruce Kulick
Por André Garcia
Postado em 05 de março de 2023
Entre os fãs do Kiss, a fase mascarada nos anos 70 é unânime; já a fase desmascarada, na década seguinte, divide opiniões. Principalmente em 1987, quando a banda se rendeu aos teclados e ao hair metal em "Crazy Nights".
Em entrevista para a Ultimate Classic Rock, o guitarrista solo daquela época, Bruce Kulick, disse que a música "Turn on the Night" poderia muito bem ter sido um hit.
"Ela era super cativante, e, pelo meu gosto, não chegava a ser 'pop demais' para o Kiss. Com a produção de Ron Nevison e os teclados se tornando parte do som no 'Crazy Nights', ela tinha teclados o bastante para não ser muito pesada. Com certeza, se tivesse sido um hit nas rádios, como 'Crazy Crazy Nights', nós teríamos sido obrigados a tocar ela."
Bruce Kulick, que nos últimos anos lidera uma espécie de banda cover oficial do Kiss desmascarado, inclui "Turn on the Night" em seu repertório. Só que sem os teclados, afinal, "não tenho um tecladista". Nos shows, ela é "sempre recebida com muitos aplausos, e todo mundo canta junto. 'Turn on the Night' é um hino agradável, e tem uma vibe animadora que causa uma comunhão com a plateia."
"Um dos destaques de tocá-la ao vivo tem sido estender o final. Eu fiz isso de forma grandiosa quando meu irmão Bob [Kulick] e eu revezamos os solos no Kiss Kruise de 2017. Os vídeos provam que se trata de uma ótima música para apresentações ao vivo. Ela deveria ter feito parte do setlist da turnê de 'Crazy Nights'", concluiu.
Ron Nevison iniciou sua carreira como engenheiro de som nos anos 70, em álbuns como "Quadrophenia" (1973), do The Who, e "Physical Graffiti (1975), do Led Zeppelin. Na década seguinte, como produtor, ele assinou trabalhos como "The Ultimate Sin" (1986), do Ozzy Osbourne, e os dois álbuns do Damn Yankees.
Sobre "Crazy Nights", ele disse ao KissFAQ: "O Kiss viu o que [Bon Jovi] estava fazendo com 'Livin' On a Prayer' e aquelas coisas. E eu queria elevar o Kiss ao mesmo patamar. Em vez de vender 500, 700 mil cópias — uma quantidade respeitável, principalmente hoje em dia —, eu queria algo ainda maior."
Olhando em retrospecto, Paul Stanley certa vez deu ao "Crazy Nights" três estrelas de cinco: "Considero [que era para ter sido] um álbum melhor do que como acabou soando. Acho que soa um pouco artificial. O material (e o que poderia ter sido) era melhor do que o que acabou sendo. Mas está longe de ser algo do qual eu tenha vergonha. Tentei compor no teclado [na época], especialmente em 'Crazy Nights', porque queria ver como isso afetaria minha escrita."
"Crazy Nights" foi um sucesso comercial, tendo chegado a platina dupla nos Estados Unidos e vendido mais de 2 milhões de cópias em todo o mundo. Apesar disso, a recepção foi mista, com parte dos fãs e críticos reclamando que a banda estava apenas tentando seguir a moda da época.
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