O incrível aprendizado que o Rush teve ao abrir shows do Kiss
Por Bruce William
Postado em 20 de novembro de 2023
Existe uma percepção meio unânime que, tecnicamente falando, o Rush é uma banda muito superior ao Kiss, pois seus músicos são virtuoses em seus instrumentos, enquanto os do Kiss tocam o suficiente para subir ao palco e mandar ver. Por isso houve até quem se revoltasse há alguns meses quando Gene Simmons disse que ensinou Geddy Lee a tocar blues. "Geddy e eu estávamos sentados, trocando riffs, e eu disse: 'Você quer fazer uma escala de blues? Você começa primeiro e depois eu continuo o padrão de acordes', e ele disse: 'Eu não entendo o que você quer dizer'", contou Gene.

Mas ser artista implica em muito mais coisas que somente habilidades técnicas, e por isso o próprio Geddy reconhece que o Rush aprendeu muito com o Kiss quando eles abriram shows para o grupo norte-americano, o que aconteceu em 1974, quando o trio estava passando por uma mudança de formação que seria decisiva para sua trajetória, com o baterista John Rutsey deixando o posto para Neil Peart. Inclusive o primeiro show que o Rush abriu para o Kiss em 25 de julho em Ontario foi justamente o último de Rutsey com a banda. E a partir dali o Kiss convidou o trio canadense para seguir em turnê com eles pelos EUA.
Naquela época, a única forma de você aprender com as bandas era vendo seus shows ao vivo, pois pouquíssimas imagens eram filmadas e transmitidas pela TV. E foi justamente em um programa de TV recente que Geddy relembrou sua experiência como parte dessa turnê quando o Rush ainda era uma banda emergente, conforme transcrição feita pelo Ultimate-Guitar.com.
"Éramos muito inexperientes quando cruzamos a fronteira para os EUA pela primeira vez em 1974", contou Geddy. "Éramos tão ingênuos que sequer tínhamos cases profissionais, ainda carregávamos alguns cabos em caixas vazias de Coca-Cola. E ficávamos noite após noite ao lado do palco depois do nosso curto set e assistíamos a todas as bandas. O Kiss era realmente impressionante porque não apenas a equipe de estrada deles era incrivelmente gentil conosco, e os caras na banda nos apoiavam muito, mas eles faziam aquele show pirotécnico, literalmente explosivo, no qual eles trabalhavam muito. Tudo tinha que ser coreografado, e tudo era cronometrado segundo após segundo", contou.
Com isto, Geddy deixou claro que um dos grandes aprendizados que tiveram com o Kiss não foi necessariamente relacionado com a música do Kiss. "Gostávamos de algumas de suas canções, é claro. Mas algumas delas não nos interessavam", explicou. "Mas observar a maneira profissional como eles conduziam seus negócios foi realmente instrutiva. Então, havia muito a aprender, muito a absorver. E, para nós, não era realmente sobre a música deles em si", disse o baixista, ecoando o que foi dito também por Neil Peart, que elogiou o Kiss por ser uma banda perfeitamente focada, que sabia o que queria e como faria para chegar lá.
Apesar disso, o Rush nunca deixou de lado seu lado cômico, a ponto de terem feito uma divertida paródia para uma música clássica do Kiss. "Muitos acham que somos absurdamente sérios, mas algumas de nossas músicas são completamente apatetadas", disse Geddy.
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