Os motivos para a saída de Eduardo Paraná da Legião Urbana, segundo o próprio
Por Gustavo Maiato
Postado em 15 de abril de 2024
Eduardo Paraná, que hoje mudou seu nome artístico para Kadu Lambach, foi guitarrista da Legião Urbana nos primórdios da banda e chegou a fazer show com a banda, como a icônica primeira apresentação da história do grupo, em Patos de Minas, quando todos foram detidos pela polícia em plena ditadura.
Em entrevista ao Toca Cultura, Paraná refletiu sobre os motivos que o levaram a sair da banda. O principal, segundo ele, foi a "pressão da turma" para ele ouvir e tocar mais como a onda do punk rock que estava assolando a capital federal no início dos anos 1980.
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"Eu curtia tocar com a Legião. Era muito legal. Depois de tantos anos, vejo com clareza porque eu saí. Tem questões estéticas envolvidas aí. O Renato quando me chamou para entrar queria certa sonoridade para a banda. As pessoas me chamam de virtuose, mas nunca achei isso. Eu aprendi escala pentatônica sozinho. Eu explorava o braço da guitarra, independente da estética. O Renato queria essa sonoridade, mas não fiquei com a banda por causa da pressão da turma.
Lembro que quando fizemos o primeiro show em Patos de Minas, voltando de Minas, a galera da Plebe Rude ficava no meu ouvido dizendo que Led Zeppelin e Pink Floyd não estão com nada! São meus ídolos! Eles diziam que tinha que ouvir outras coisas. Eles ficaram me assediando a noite inteira. Lembro que o Renato ficava olhando aquilo. Ou seja, tinha uma pressão. Eles queriam que eu ouvisse bandas punks, mas só chegava punk alternativo para Brasília. Coisas underground, da Alemanha, com eletrônico. Eu achava aquilo legal, mas não tinha riff ou solo de guitarra. Era um contraste do que eu estava acostumado a ouvir. Eu ouvia até Hermeto Pascoal, minha mãe é pianista. Isso contrastava. Era uma pressão da turma muito forte. Eu não estava achando que aquele ambiente era para mim. Eu tinha 16 anos".
O começo da Legião Urbana
Em entrevista para a MTV, Renato Russo comentou sobre esse início da Legião Urbana e citou o nome de Eduardo Paraná entre os primeiros recrutados para o projeto musical.
"Eu saí do Aborto Elétrico e uma vez estava em um point. Cheguei para o Marcelo Bonfá e perguntei se ele não queria fazer uma banda. A gente poderia ter um núcleo de baixo e bateria. Numa música poderia ser o Phillipe Seabra, da Plebe. Na outra, chamamos umas meninas para cantar. A outra poderia ser instrumental. A Legião Urbana seria só eu e o Bonfá. Mas naturalmente essa ideia não deu muito certo, porque até chamar as pessoas e montar repertório era difícil.
No começo, chamamos o Eduardo Paraná, que era amigo do Marcelo, para tocar guitarra. Mas ele tinha outra formação musical. Ele era muito legal, maior gatinho, mas tocava super rápido. A gente dizia que não era por aí! Ele estudava música clássica. Outro amigo nosso, o Paulo Paulista, disse que deveríamos ter um tecladista. Ele era jovem e alto. Era um teclado muito primitivo. Ele demorava a música inteira até arrumar o som! (risos). Essa foi a primeira formação da Legião Urbana", explicou.
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