Tumulto, banda de Foz do Iguaçu, apresenta "War For Power"
Por Digão Monzon
Postado em 20 de junho de 2024
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Em qualquer cidade do Brasil, onde existe um entusiasta do rock, certamente existe um fã do Tumulto em potencial. Digo isso sem muito fanatismo e explico os motivos no transcorrer dessa história, mas vamos começar pelo final. Na madrugada de sábado, primeiro de junho de 2024, a banda de Foz do Iguaçu fez o show de lançamento de seu mais novo disco, "War for Power". O show realizado na "Casa Urbana" foi filmado e deverá ser lançado em vídeo nos próximos meses.
Com 33 anos de estrada o Tumulto é uma instituição dentro do underground. Eles já estiveram em palcos de grandes festivais e também naqueles barzinhos sem palco, com gente caindo por cima dos instrumentos – tudo com a mesma energia e vigor e em cada um dos quatro cantos desse país.
O trio é formado por Germano Duarte, vocal e guitarra, Rafael Felldman, baixo além de Márcio Duarte, baterista e fundador da banda, que insiste em classificá-la como thrash metal. Pode até ser, mas não é tão simples.
Nos distantes anos 90, o Tumulto teve suas origens coladas com o punk rock. O primeiro álbum, ainda em vinil, fora produzido por ninguém menos que Redson Pozzi (Cólera). De lá para cá a banda passou por todas as fases, desde a demo-tape, passando pelo vinil até figurar em inúmeras coletâneas na primeira década dos anos 2000.
Voltando ao presente, "War for Power" reflete esse tempo de estrada com riffs que passeiam entre o melhor do thrash oitentista até um groove insano, que muito faz lembrar o hardcore de Nova Iorque. E se o disco traz essa mistura explosiva, convém contar como tudo isso funciona ao vivo!
No palco, o vocal de Germano é uma convocação para a guerra: rouco, agressivo, furioso! Rafael não deixa por menos, explosivo, ocupa cada canto do palco, a todo tempo ele instiga a participação do público enquanto domina o baixo. Márcio traz a bateria a poucos centímetros do tímpano do público, frenético, alterna levadas rápidas e retas com tempos completamente quebrados em cima dos riffs. Um espetáculo!
Na noite de gravação do DVD tudo foi planejado. O palco cru, muito baixo, sem pirofagias e nenhum tipo de distração deixavam claro que o espetáculo ali era a música e que tudo era ao vivo, sem notebooks, sem playbacks ou complementos. A luz acesa no palco criava aquela atmosfera provocativa onde banda e público se encaram ao ponto da sinergia. O resultado era óbvio: um moshpit intenso com muita gente voando do palco para a plateia. É o underground retratado sem maquiagem!
Por falar em público, o galera neste show reflete um pouco da afirmação inicial desse texto - teve gente que encarou a BR para estar ali, naquela noite. No vídeo, DVD, ou seja qual for o produto final desse show, é provável que você ouça paraguaios, argentinos, bolivianos gritando entre as músicas, porque eles também estavam lá!
O setlist começa com a apresentação integral de "War for Power", da intro até a última faixa, e se você já leu até aqui e está curioso, esse disco está nas plataformas digitais. Confira, mas tenha a certeza de que ao vivo é ainda melhor. Em seguida, sem intervalos, a banda fez um apanhado de músicas autorais passando pelo LP Conflitos Sociais, o EP Holy War e o disco Fight.
Quem acompanhou o Tumulto ao longo desse tempo todo sabe que eles sempre agiram em defesa da música autoral, por isso é possível contar nos dedos a quantidade de covers que já fez parte de seu repertório. Dessa vez, além da clássica Ace of Spades do Motorhead, (lá vamos nós de novo) uma versão mais pesada e agressiva de Medo, do Cólera, em homenagem ao amigo Redson... e a casa mais uma vez vem abaixo. "Toda vez que a gente toca essa música, emociona", revela Márcio, em uma conversa logo após o show.
E se eu ainda não te convenci que em cada cidade do Brasil existe um fã de Tumulto em potencial ou é porque você ainda não ouviu com atenção ou porque você não apresentou esse som para a pessoa certa.
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