O gênero ao qual o Pink Floyd é comumente associado que irrita Roger Waters
Por Bruce William
Postado em 25 de julho de 2024
Há bandas que são sinônimos de um estilo musical bem definido como AC/DC, Metallica e Ramones, que mantém um som consistente ao longo de suas carreiras e acabam se tornando ícones de seus gêneros, construindo uma base de fãs leal graças ao seu som inconfundível. Em contraste, outras como The Beatles, Queen e Pink Floyd são difíceis de categorizar devido à sua versatilidade musical. E elas são celebradas justamente por sua inovação e diversidade musical.
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O último citado, o Pink Floyd, é um excelente exemplo de uma banda que transcende classificações simples. Com seu início no Rock Psicodélico, a banda se aventurou no Rock Progressivo, criando álbuns que são verdadeiras obras de arte e que ao mesmo tempo são completamente diferentes entre si, como "The Piper At The Gates of Dawn", "Wish You Were Here" e "The Division Bell", que mostram alguns exemplos de como o Floyd foi se modificando ao longo dos anos, mas sempre produzindo trabalhos de alto nível que lhe garantiu um lugar especial no panteão das grandes bandas de Rock.
O Pink Floyd é uma banda de Rock Progressivo, ou uma banda de Space Rock?
Categorizar o Pink Floyd sempre foi uma tarefa árdua que rendeu longas discussões, e uma das classificações mais comuns associadas à banda, conforme já citado, é ao Rock Progressivo, graças às suas estruturas de canções elaboradas, longas peças instrumentais e conceitos temáticos abrangentes, especialmente em trabalhos como "Animals" e "The Wall". Contudo, a banda também mergulha em Rock Psicodélico, Blues e até na música Pop, especialmente em suas primeiras e últimas fases, o que impede que sejam categorizados rigidamente apenas como uma banda de Rock Progressivo.
Outro gênero ao qual o Pink Floyd foi associado é o chamado Space Rock, que emergiu da cena musical psicodélica inglesa do final da década de 1960 e estava bem próximo ao movimento do Rock Progressivo surgido no mesmo período. E é consenso que muitos dos primeiros lançamentos do Floyd foram importantes para o desenvolvimento do estilo. Músicas como "Astronomy Domine" e "Interstellar Overdrive" do disco de estreia estavam entre os primeiros exemplos do que ficou conhecido como Space Rock, e que seria adotado por bandas como Hawkwind e, mais tarde, Radiohead e The Verve, dentre muitas outras.
Essa faceta da sonoridade do Pink Floyd se devia principalmente ao interesse do guitarrista, vocalista e principal compositor Syd Barrett. Após sua saída, a banda prosseguiu durante um breve período com experimentos no gênero, em músicas como "A Saucerful of Secrets", do disco homônimo, e "Echoes", de "Meddle".
O verdadeiro significado do Lado Escuro da Lua no "The Dark Side Of The Moon", do Pink Floyd
Mas embora o Pink Floyd fosse tão fascinado pelo espaço sideral quanto qualquer outro da sua geração, quando estavam no auge as cenas de corridas espaciais e pousos na lua, eles não se sentiam confortáveis com o rótulo de Space Rock, notou a Far Out, citando como prova uma entrevista em 1973 para a Zigzag, após o lançamento de "The Dark Side of the Moon", onde Roger Waters e Nick Mason suspiraram quando questionados sobre a descrição de Space Rock. "Caramba!", retrucou Waters. "Eu quase nunca leio ficção científica… As pessoas ouvem 'Dark Side Of The Moon' e chamam de Space Rock só porque tem a palavra Moon no título…", disse o baixista.
Possivelmente um dos motivos da irritação de Roger é que o "Space Rock" do "Dark Side of The Moon" não se refere especificamente a um lugar físico, mas sim uma condição mental. O álbum explora temas profundos e universais como a loucura, o conflito, a ganância, o envelhecimento e a morte. A metáfora do lado escuro da lua serve para ilustrar as complexidades e obscuridades da mente humana. A música e as letras se combinam para criar uma jornada introspectiva, onde o espaço sideral se transforma em uma reflexão sobre a condição mental e emocional do ser humano, levando os ouvintes a explorarem os cantos mais profundos e muitas vezes sombrios de sua própria psique.
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