O motivo pelo qual Steve Hackett passou a se dedicar a tocar músicas do Genesis em shows solo
Por Sandra Fernandes
Postado em 22 de agosto de 2024
Geralmente quando embarcam em carreira individual, muitos músicos trazem consigo repertório das bandas antigas que integravam. Por mais que vários deles tentem emplacar um cancioneiro à solo, acabam em diversas ocasiões priorizando — ainda que à revelia — composições mais consagradas de sua época em algum conjunto musical.
Diversos artistas foram bem sucedidos em implementar um repertório solo sem se "escorar" digamos assim em suas bandas. Bruce Dickinson, Eric Clapton, Michael Jackson, Sting e por aí vai. Já outros como Robert Plant, Mark Knopfler, David Gilmour e Roger Waters tem sempre de abrir espaço às canções das bandas "lendárias" que fizeram parte. O Genesis veio a ser um caso a parte nesse quesito. Praticamente todos seus integrantes estabeleceram carreiras solo de extremo sucesso sem a rebarba do que faziam nas bandas. Peter Gabriel, Mike Rutherford (nesse caso com o Mike & The Mechanics) e, claro, Phil Collins. Steve Hackett também se estabeleceu como artista solo e durante muitos anos, dentro do nicho progressivo, não precisava de fazer um ato de tributo à seu antigo grupo para vender discos e lotar shows.

Entretanto, recentemente, o guitarrista parece se dedicar mais a tocar o repertório da antiga banda do que o seu solo. O músico foi perguntado sobre isso quando foi entrevistado pelo canal Progland. Em papo com o jornalista e apresentador Kelvyn Araujo, Hackett explicou as razões pelas quais se sentiu "obrigado emocionalmente" a fazer isso nos últimos anos. Tal guinada envolveu a contratação até de um cantor, Nad Sylvan, para entoar o repertório outrora interpretado por Peter Gabriel e Phil Collins e a turnês temáticas de determinados álbuns e discos.
E o guitarrista fez questão de deixar claro que um dos motivos foi um desdém, sentido por ele, dos demais membros perante o repertório dos anos 1971-1977, quando ele esteve na banda.
"Bem, eu tinha muito orgulho do Genesis quando eu era integrante da banda. E eu percebi que com o tempo, os outros caras da banda dos anos 1970 começaram a dizer coisas na imprensa onde eles criticavam o trabalho da década de 1970 por não ser ‘comercialmente aceitável’. E falavam que a década de 1980 era o período onde a banda atingiu o ápice. [...] Então quando analiso o Genesis dos anos 1970 até hoje, percebo duas eras. Há a era focada em álbuns. Completos, concisos, que John Lennon aprovava. [...] Ele nos considerava os filhos verdadeiros dos Beatles, o John Lennon disse isso em uma entrevista, acho que ela é de 1973 inclusive [...]. Essa era esquisita, maravilhosa e experimental. E há a era mais voltada à singles, que o Genesis abordaria nos anos 1980. Que era algo muito incentivado pela MTV. As duas eras foram bem sucedidas em diferentes aspectos. E todos nós éramos fãs de Beatles. E ter a aprovação de um deles, e daquele primeiro período, acabou se tornando um lugar abandonado. E se tornou um lugar para criticas. E aí logo pensei: ‘Bem, eu não vou fazer parte disso.'".
Ele complementa dizendo que tenta equilibrar seu trabalho solo com trazer o repertório antigo. E diz não se importar com acusações eventuais de estar "explorando" o repertório da banda.
"Pra mim essa música era maravilhosa, era pan-genero, inclusiva, com muitos estilos musicais. Ela não estava restrita à necessidade de ter um hit single. Senti que queria reduzir esse desbalanceamento de eras. Sempre senti que o Genesis era muito especial. E sinto que uma chave para o futuro é ter uma chave para o passado. Ou ter um acesso pleno à ele. E daí desenvolvi isso. Onde estava preparado para fazer, em alguns casos, exclusivamente material do Genesis, e com outras pessoas tocando outras coisas minhas também. Hoje faço um set que a 1ª parte é solo e a segunda toco Genesis. Não fico contando quantos minutos faço cada parte. É tudo parte da minha história. E parte do meu futuro. De ser um impulso para me reinventar, revigorar."
Atualmente Steve está em turnê. Intitulada "Genesis Greats, Lamb Highlights & Solo", o giro é uma celebração aos 50 anos do álbum "The Lamb Lies Down on Broadway", lançado em 1974. Nos shows, Hackett toca algumas das principais faixas, ao seu ver, do icônico disco duplo lançado pela banda. A última visita do músico ao país ocorreu em 2023, acompanhado da banda argentina Genetics, homenageando na ocasião o ao vivo "Seconds Out" (1977).
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Shows no Brasil que encerraram ciclos em carreiras de bandas internacionais
A canção do Metallica que ainda emociona James Hetfield toda vez que ele a escuta
A música do Yes que serviu de inspiração para Dream Theater e Sepultura
Regis Tadeu defende Roger Waters após polêmica envolvendo o Rush e manda recado aos fãs
"Nunca compusemos juntos" - Roger Waters explica sua parceria com David Gilmour no Pink Floyd
Os dois discos do AC/DC com Brian Johnson que ainda impressionam Angus Young
Angus Young (AC/DC) autografa bebê no Canadá
Resenha e fotos do show de Dave Evans, ex-AC/DC, em Belo Horizonte
A jam gravada só para testar microfones que virou um clássico do rock e vendeu milhões
O disco solo que Ozzy Osbourne não suportava ouvir; "Tudo parecia e soava igual"
Mike Portnoy elogia "Cursum Perficio", novo disco do Anthrax
Regis Tadeu finalmente explica detalhe do Iron Maiden que fãs discutem há 20 anos
Metallica anuncia mais 12 datas da tour M72 para 2027
O disco que o Alice in Chains lançou esperando que quase ninguém soubesse
Uma pergunta sobre afinação mudou o destino do maior sucesso do Metallica

Os 3 artistas considerados "rock de tiozão" pelo baixista do Nirvana Krist Novoselic em 1992
A música do Genesis em que Phil Collins tentou tocar como seu grande ídolo
O álbum do Genesis que Steve Hackett não gostaria de revisitar sozinho, sem os ex-colegas
Joe Elliott acha que único disco do Sex Pistols é tão planejado quanto um álbum do Genesis
O hit que transformou Phil Collins em saco de pancadas: "Eu não merecia isso"
O baterista que Phil Collins considerava "tecnicamente muito superior a mim"
O baterista amigão que Phil Collins admite ser tecnicamente muito superior a ele
A opinião nada carinhosa de Ian Anderson sobre uma banda clássica do progressivo setentista
A melhor música de rock progressivo de todos os tempos, segundo os leitores da Prog


