O RockGol que foi injusto: "Mandaram bater de novo o pênalti porque não filmaram"
Por Gustavo Maiato
Postado em 16 de agosto de 2024
Em uma conversa no podcast Podpah, Japinha, ex-baterista do CPM 22, relembrou momentos marcantes de sua carreira e compartilhou histórias sobre o icônico RockGol, torneio de futebol organizado pela MTV Brasil, que unia músicos. Uma das lembranças envolveu um episódio de injustiça bizarro.
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"Eu tive a sorte, porque na verdade eu era fã nos anos 90. Quando eu estava na garagem fazendo barulho, sem saber tocar direito, aprendendo a tocar, eu já via esses caras participando. Eram caras que eu admirava, como Raimundos, Sepultura e até o Ratos de Porão. Lembro que o Gordo estava ali, só andando no campo, e eu achava o máximo. Era uma coisa séria para mim. O Jão jogava bola, o Rodolfo fazia bastante gol, e o Igor também. O Rodolfo jogava bem na frente, era um bom atacante."
"O Samuel Rosa sempre foi craque, assim como Tony Garrido. Vários caras de bandas boas jogavam bem. O Nasi também era bom, já era mais velho, mas sabia jogar. Eu via aqueles caras na TV, sendo roqueiro e gostando de futebol, sempre gostei. Eu pensava: 'Mano, que sonho! Como eu queria jogar nessa época.' Nos anos 90, de 91 a 2000, até eu entrar na cena em 2001, eu assistia como fã, assim como vocês assistiam. A gente curtia, torcia para uns, achava engraçado outros, e se divertia com as narrações", relembra Japinha."
"O RockGol era um evento aguardado pelos fãs de rock e futebol. Japinha destacou como o torneio era um ponto de encontro para músicos de diferentes estilos e épocas. "Lembro que antes do Bonfá e do Bianca, até o Silvio Luiz, que faleceu recentemente, chegou a narrar. Era ele narrando e a Soninha como comentarista. Olha que da hora! Era muito legal. Eu assistia aquilo e na época dos caras, tinha o privilégio de poder levar um jogador amigo."
"Alguns times eram amigos de jogadores e levavam um jogador do time. Lembro que tinha um cara do Santos jogando, outro do Corinthians. Era covardia, mas dava jogo porque cada um levava um. E as bandas de samba jogavam nos anos 90. Eu torcia para as de rock. As bandas de samba eram boas para caramba, como Alexandre Pires e Só Pra Contrariar. Rodriguinho dos Travessos jogava bem também. Dava altos rachos, pagode na beira do campo", comentou."
Japinha também lembrou um episódio curioso: "Lembro que uma vez, durante uma transmissão ao vivo, saiu uma treta entre uma banda de samba e o time do D2 e do Falcão do Rappa. Os caras do Rio, como o D2 e o Falcão, também vieram de baixo. Lembro do D2 sendo segurado por dois caras e o Falcão chegando com uma voadora no peito do pagodeiro. Eu pensava: 'Caraca, isso é futebol e rock and roll!'"
Mas nem todas as memórias são de diversão e camaradagem. Em 2002, Japinha e sua banda foram convidados a participar do RockGol. "Eu queria muito jogar. Em 2002, fomos convidados. Falei: 'Mano, não acredito que vou jogar o RockGol.' Caímos no time do Tijuana. Era sorteio, porque nenhuma banda dava um time completo. Sempre jogavam três ou quatro, precisava de pelo menos seis para formar um time. Nosso time era Tijuana e Vini no gol, Vini do Mexe a Cadeira. Nosso time ficou bom porque o Vini pegava bem no gol. Do Tijuana, o guitarrista Léo e o Bahia sabiam jogar, e do CPM tinha uns três que jogavam bem. Chegamos na final contra o Nação Zumbi e perdemos nos pênaltis."
A história que deixou Japinha indignado aconteceu durante a disputa de pênaltis. "Essa história é legal e triste. Hoje em dia eu rio, mas na época fiquei puto. Na disputa dos pênaltis, faltava um para a gente bater e ganhar. Os caras mandaram voltar o pênalti do time rival do Nação Zumbi porque não tinha filmado. Era um programa de TV, não podia faltar aquele pênalti, tinha que ter. O diretor da MTV entrou em campo, pediu desculpas, pelo amor de Deus, para a gente aceitar. Eu pensei: 'Não acredito, não quero perder.' Adivinha? O cara foi lá, bateu e converteu. Perdemos o campeonato. Era cobranças alternadas, quem fizesse ganhava. Fomos lá, perdemos. Mas era demais", concluiu Japinha.
Episódio abaixo.
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