A música de Paul McCartney que ele sempre odiou: "Tem uma letra horrível"
Por André Garcia
Postado em 14 de agosto de 2024
A segunda metade do século passado foi marcado pelo surgimento da música pop como conhecemos, o que em muito se deve à safra de grandes compositores surgida nos anos 60. Dois dos maiores deles dividiram a mesma banda: John Lennon e Paul McCartney.
A parceria Lennon/McCartney foi uma das mais bem sucedidas que já existiram. Mesmo se pegar só o que McCartney compôs sozinho (ou praticamente sozinho), já temos várias canções que se tornaram standards globais: "Yesterday", "Here There and Everywhere", "Eleanor Rigby", "Penny Lane", "Hey Jude", "Let It Be"...
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Nem só de acertos vive um artista, entretanto, mesmo que se trate de um dos maiores ainda vivos. Portanto, até mesmo o baixista dos Beatles já teve lá sua cota de bolas fora (muito fora).
Com a separação dos Beatles anunciada em 1970, as expectativas para as carreiras solo de cada um dos Fab Four eram altíssimas. George Harrison e John Lennon foram os primeiros a emplacarem, já em 1971, com "All Things Must Pass" e "Imagine", respectivamente.
Já Paul McCartney, só foi fazer sucesso no final de 1973, com "Band on the Run", do The Wings. Antes disso, ele havia lançado alguns outros trabalhos, todos flopados. Um deles em especial, o decepcionante "Wild Life" (1971), tem ainda uma das músicas que Paul mais odeia: "Bip Bop":
Uma musiquinha acústica com a típica levada de McCartney tocando violão, não é uma de suas composições mais brilhantes, mas é melhor do que algumas das coisas de álbuns como "Magical Mystery Tour", "White Album" e "Let It Be". O vocal da música não vai muito além de meros sons com a boca e palavras desconexas usadas apenas pelo som.
Ele gostava de fazer músicas assim, com palavras quaisquer para definir a melodia, e só depois escrever uma letra definitiva. "Yesterday" originalmente se chamada "Scrambled Eggs" (ovos mexidos). Só que "Bip Bop" era tão despretensiosa que acabou ficando com o rascunho mesmo.
Além das onomatopeias do título, temos versos que, digamos, não possuem lá o mesmo nível de profundidade de um Bob Dylan; coisas como: "Tente se pendurar embaixo da estante / Bata na palma da mão, vá ver uma banda"
Conforme publicado pela Far Out Magazine, em entrevista de 2015 para a Q Magazine McCartney não escondeu seus sentimentos pela pobre faixa.
"'Bip Bop' tem uma letra horrível da p*rra. [O produtor] Trevor Horn me disse que era uma das favoritas dele, então não deveria odiar essa música tanto assim, né? Deve ter havido algum motivo para eu ter escolhido ela, para começo de conversa."
No livro Conversations with McCartney, publicado por Paul Du Noyer em 1989, a opinião do baixista sobre a bendita música não era melhor do que a de 2015:
"Nos próximos anos as pessoas vão parar para ver o meu trabalho com todo, e não só pelo contexto dos Beatles. Esse é o perigo, pois era alguém que vinha de 'Here, There And Everywhere', 'Yesterday', 'Fool On The Hill', [e que sem a banda aparecia com coisas como] 'Bip Bop', que é uma música tão sem-noção… Sempre odiei essa música."
Na minha opinião, "Bip Bop" está tão longe de ser uma das piores músicas de Paul McCartney quanto está de ser uma das melhores. Casual e despretensiosa, ela tem até seu charme. Eu inclusive a recomendaria aos que querem descobrir uma nova típica McCartney song.
Uma última curiosidade é que segundo o site setlist.fm "Bip Bop" jamais foi tocada ao vivo.
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