O álbum de rock que várias fábricas da América Latina foram recrutadas para produzir
Por Gustavo Maiato
Postado em 02 de outubro de 2024
Em uma entrevista para o canal MPB Bossa, o cantor Paulo Ricardo relembrou o impacto colossal que o álbum "Rádio Pirata Ao Vivo", da banda RPM, teve na indústria fonográfica. Lançado em 1986, o disco se tornou um marco não apenas pelo sucesso comercial, mas também pela forma como exigiu a mobilização de fábricas em toda a América Latina para atender à enorme demanda.
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"A gente estava sentindo que algo estava acontecendo. Começamos a elevar o nível do que fazíamos, dentro das nossas possibilidades", afirmou Paulo Ricardo. O RPM foi pioneiro em levar o rock nacional de garagem para o mainstream. Segundo o cantor, essa transição foi tão clara que o sucesso de Rádio Pirata acabou simbolizando a ascensão do rock brasileiro no cenário musical da época.
O álbum ao vivo, produzido pelo renomado Ney Matogrosso, rapidamente se tornou um fenômeno de vendas. Em um período de crise na produção de discos no Brasil, as fábricas locais não deram conta da demanda, o que forçou a gravadora a buscar ajuda de fábricas na Argentina e no Uruguai. No auge, eram prensados 13 mil discos por dia apenas em São Paulo.
Paulo Ricardo destacou que, além do sucesso comercial, o mais gratificante foi a relevância duradoura do álbum. "Até hoje, é um dos discos mais vendidos do país. As músicas continuaram sendo tocadas e se mantiveram relevantes", refletiu.
O sucesso de Rádio Pirata não só ajudou a revitalizar a indústria fonográfica brasileira em um período difícil, mas também cravou o RPM na história do rock nacional como uma das bandas mais influentes da década de 80.
O site oficial da banda recorda esse episódio: "A procura por este álbum foi tão grande que as empresas responsáveis pela fabricação dos discos não conseguiram atender à grande demanda existente, o que levou a gravadora a contratar os serviços de empresas na Argentina e no Uruguai. Para dar conta de atender ao mercado, a gravadora contratou mais fábricas de prensagem do vinil. Eram produzidos 13 mil discos do RPM por dia, só em São Paulo".
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