O grupo que foi apontado como "novo Nirvana" e "salvação do Rock", mas passou longe
Por Mateus Ribeiro
Postado em 29 de janeiro de 2025
O Nirvana foi um dos últimos grandes fenômenos da história do Rock. Maior expoente do Grunge, o grupo norte-americano liderado pelo guitarrista/vocalista Kurt Cobain chegou ao mainstream com seu segundo álbum, "Nevermind". Lançado em setembro de 1991, o disco emplacou hits que fazem muito sucesso até hoje, com destaque para "Smells Like Teen Spirit" e "Come As You Are".

A trajetória do Nirvana foi encerrada de forma brutal em 5 de abril de 1994. Nesse dia, Kurt Cobain tirou sua vida com uma arma, o que significou o fim do trio que virou o mundo do Rock de cabeça para baixo.
No mesmo ano em que Kurt morreu, surgiu na cidade de El Paso (localizada no Texas, EUA) o At the Drive-In. O grupo de Post-Hardcore, que executava um som caótico e cativante, fez relativo sucesso com seu terceiro álbum de estúdio, intitulado "Relationship of Command", lançado em setembro de 2000.
"Relationship of Command" abriu as portas para o At the Drive-In. O álbum foi elogiado pela crítica especializada, e a banda foi chamada de "novo Nirvana" em matéria da New Musical Express, conceituada revista inglesa sobre música (via Louder).
Ser chamado de "novo Nirvana" poderia ser considerado algo interessante. No entanto, o guitarrista Omar Rodriguez-Lopez não ficou muito feliz com a comparação, como aponta seu depoimento presente em "Omar and Cedric: If This Ever Gets Weird", documentário lançado em 2023.
"Eles colocaram um monte de propaganda idiota sobre nós que não era necessariamente verdade. Você não chama um bando de crianças de El Paso de 'O Próximo Nirvana'. Nós não éramos isso."
Os elogios foram ainda mais longe. Kristen Welsh, diretora de marketing do selo Grand Royal (responsável pelo lançamento de "Relationship of Command") escreveu em um artigo publicado na Billboard que o At the Drive-In poderia salvar o Rock.
A "hype" causou danos ao At the Drive-In. O gerenciamento queria que os músicos aproveitassem o momento, porém, de acordo com Omar, as coisas estavam ficando cansativas.
"Quando você está no auge, sua gerência lhe diz: ‘Vocês precisam fazer isso agora. Vocês trabalharam tanto e por tanto tempo para chegar a esse momento, agora é a hora de manter o pé no acelerador’. Mas nós estávamos cansados, cara, estávamos cansados da estrada, cansados uns dos outros, cansados das besteiras com as quais estávamos lidando."
O cansaço acabou vencendo Omar no dia 21 de fevereiro de 2001. O guitarrista deixou o palco no meio de um show que o At the Drive-In estava fazendo em Groningen, Holanda.
"Eu estava muito bravo e não queria estar ali. Senti como se tivesse me enganado de alguma forma e como se toda a minha hipocrisia estivesse na minha cara de repente... Senti que foi minha própria corrupção olhando de volta para mim que me colocou nessa situação (...) Parecia que estava transando por transar", declarou Omar, que chorou no camarim do show acima citado.
"Olhei para o lado e Omar estava ali parado. Eu pensei, 'Oh, merda, isso não é bom'", relatou Cedric Bixler-Zavala, vocalista do At the Drive-In e amigo de Omar.
Apesar da situação complicada, três membros do At the Drive-In quiseram continuar na estrada, e eles se apresentaram até setembro de 2001. Omar não gostou da ideia de cair na estrada. "Naquela época, eu pensava: ‘Não quero mais tocar com esses filhos da puta’", afirmou o guitarrista.
Omar e seu parceiro Cedric Bixler-Zavala formaram o The Mars Volta. O At the Drive-In, que não virou o novo Nirvana, se separou em 2001 e foi reativado em 2016, porém, dois anos depois, o grupo entrou em hiato indefinido.
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