O dia que Titãs abriu show do Sepultura na Argentina e se deu mal
Por Mateus Ribeiro
Postado em 22 de janeiro de 2025
Titãs e Sepultura são dois grandes nomes da música brasileira. Enquanto o primeiro dos grupos é responsável por grandes clássicos do Rock nacional, o segundo inseriu o Brasil no mapa do Heavy Metal e gravou discos muito influentes, caso do pesadíssimo "Chaos A.D."
Lançado em setembro de 1993, "Chaos A.D." é o quinto álbum de estúdio do Sepultura. O trabalho apresenta faixas que figuram entre os hits do quarteto fundado pelos irmãos Cavalera, como "Refuse/Resist", "Territory" e "Propaganda". A versão brasileira de "Chaos A.D." traz um cover de "Polícia", clássico dos Titãs.
A turnê de divulgação de "Chaos A.D." passou pela Argentina em abril de 1994, e o Sepultura chamou o Titãs para abrir dois shows em Buenos Aires (capital do país). A ideia aparentemente não foi bem aceita pelos fãs argentinos, como Nando Reis (ex-baixista/vocalista dos Titãs) conta em um vídeo divulgado no seu canal do Youtube no segundo semestre de 2021.

"Por conta do ‘Titanomaquia’ [álbum lançado em 1993] e do desejo de ter uma sonoridade pesada, acabamos nos aproximando da banda Sepultura, com quem o Charles [Gavin, ex- baterista do Titãs] já tinha uma antiga amizade, desde quando eles começaram lá em Belo Horizonte. Charles era um homem mais atento, com bandas, com lançamentos e o que estava rolando. E o Sepultura chamou muito a atenção [dele].
Dizem as más línguas que Max Cavalera disse que nós éramos a banda mais suja do Brasil, tão suja quanto eles. Ou seja, havia… e de fato é real, naquele momento, uma intersecção, uma proximidade (...).
Fomos pra Argentina abrir shows do Sepultura. E foi uma passagem das mais bizarras da nossa vida. Porque, diferentemente do Sepultura, que já era mundialmente conhecido, os Titãs [eram] ignorados. E eu me lembro que nós fomos muito hostilizados pela plateia, que não reconhecia o nosso trabalho. E a minha impressão é de que eles identificavam algo profano na nossa presença ali no mesmo palco.
Bicho, eles cuspiram na gente, absurdamente. Alguém chegou a dizer que isso era uma espécie de, digamos, boas-vindas. O que eu acho que não. Foi nojento, e foi muito violento. Tanto que, acho que no segundo dia, o Max teve que subir no palco e falar: ‘Eles são nossos amigos, são convidados bem-vindos, alto lá’. Foi uma merda."
O vídeo completo pode ser assistido no player a seguir.
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