"Wish You Were Here" e como permanecer no topo
Por Pedro Bouzada de Carvalho
Postado em 18 de março de 2025
Desmotivados e preguiçosos após o sucesso descomunal de 'The Dark Side of the Moon' (1973), os membros do Pink Floyd não sabiam como prosseguir a partir dali. Afinal, haviam atingido todas as suas ambições comerciais enquanto banda. Contudo, conforme a história acabou mostrando, as artísticas ainda estavam distantes de um desfecho.
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'Wish You Were Here' (1975) foi construído a partir de trechos de ideias (algumas recicladas no 'Animals', de 1977). O tema central do álbum é a ausência, inspirada em Syd Barrett, o guitarrista original, cujo destino havia se tornado desconhecido.
Dividido em duas metades que iniciam e concluem o disco, 'Shine on You Crazy Diamond' é um ostensivo épico de quase 26 minutos dedicado ao amigo e antigo colega. A pungente letra de Roger Waters, responsável pelos vocais, traz profundidade a uma já magnífica composição, instrumentalmente dominada por David Gilmour e Richard Wright. Esta obra é, a meu ver, o grande legado do tecladista.
O ‘subtema’ envolvendo a indústria fonográfica está inserido em 'Welcome to the Machine' e 'Have a Cigar'. Enquanto a primeira é liricamente mais insinuante e fantasiosa, aplicável a diferentes contextos possíveis, a segunda, cantada por Roy Harper, presente no estúdio naquele momento, ataca diretamente os engravatados imersos na ambição e autoignorância.
O conceito principal retorna para a faixa-título, uma emocionante declaração de amor e perda na forma de poesia musical. Gilmour pegou as palavras de Waters e as fez suas. Ainda insatisfeito, tomou posse de toda a canção. Um enorme clássico que, se não me provocou exaustão até hoje, não mais conseguirá.
Dentre todos os extraordinários álbuns lançados pelo Pink Floyd nos anos de 1970, 'Wish You Were Here' foi o último a prender minha atenção. Talvez, seja isso que o torna, atualmente, meu preferido. Sublime em sua totalidade.
Curiosamente, Barrett apareceu nas sessões de gravação do disco e, passados sete anos do seu desligamento da banda, levou muito tempo para ser reconhecido pelos envolvidos devido à sua aparência e lucidez em avançada decadência, simbolizada na capa através do homem em chamas. Muitas vezes, ele também me representa.
Aprecie sem moderação.
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