O ritual sombrio que livrou o Barão Vermelho da maré de azar que assolava a banda
Por Bruce William
Postado em 18 de março de 2025
A saída de Cazuza do Barão Vermelho, no final de 1985, marcou o fim de uma era. Embora a separação tenha ocorrido de forma amigável, o ex-vocalista acabou favorecido pelo cenário musical, enquanto a banda enfrentava dificuldades para se reerguer. Roberto Frejat assumiu os vocais e o grupo seguiu em frente, mas o período seguinte foi desastroso. O álbum "Declare Guerra" (1986) passou por problemas desde o lançamento, e a situação só piorou nos meses seguintes.
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O primeiro show da nova fase aconteceu em junho de 1986, no MASP, em São Paulo. O público praticamente não apareceu, e a apresentação foi marcada por dois apagões inesperados. A partir dali, parecia que uma nuvem negra pairava sobre o Barão Vermelho. Como relatado no livro "Barão Vermelho - Porque A Gente é Assim" (Amazon) e recontado pelo jornalista Júlio Ettore em um vídeo publicado em seu canal do youtube, uma sequência de infortúnios abalou a banda.
O disco chegou às lojas com um erro bizarro na prensagem: cerca de 90% das cópias estavam defeituosas, fazendo com que consumidores devolvessem os LPs e, ao descobrir que era um erro generalizado, muitas vezes optassem por comprar álbuns de outras bandas. Além disso, a música-título ficou datada devido ao sucesso do Plano Cruzado, lançado pelo governo brasileiro na época. Para piorar, a gravadora perdeu o interesse no grupo e rescindiu o contrato.
O Barão encontrou refúgio na WEA, mas as coisas não melhoraram. O álbum "Rock'n Geral" (1987) foi um fracasso comercial e a turnê foi caótica: inundações, temporais, apagões e apresentações esvaziadas. Em um dos episódios mais bizarros, a banda tocou em cima de um caminhão na festa de emancipação de Arraial do Cabo. O tecladista Maurício Barros deixou o grupo e os integrantes remanescentes começaram a questionar se ainda valia a pena continuar.
Foi então que uma prima de Guto Goffi sugeriu que a banda procurasse ajuda espiritual. Segundo ela, uma vidente no bairro de Ramos, no Rio de Janeiro, havia lhe ajudado a mudar de vida. A ideia não agradou a todos: Maurício era católico convicto, Frejat era judeu de origem e ateu por escolha, e Dé Palmeira simplesmente não acreditava em nada. Guto, por outro lado, tinha fé e insistiu na tentativa.
Mas o encontro com a vidente acabou acontecendo, e foi digno de um filme de terror. Durante a consulta, a mulher olhava para um copo d'água onde boiava um olho de cabra. Após uma breve análise, disparou: "Não sei como vocês ainda estão juntos!" Em seguida, os levou para uma sala de piso de taco e lustre brilhante, onde ordenou que segurassem um lençol branco na altura da cintura enquanto repetiam palavras místicas.
Após alguns minutos, um barulho assustador preencheu o ambiente. Quando a vidente mandou que levantassem o lençol, os músicos se depararam com um amontoado de terra, charutos, caixas de fósforos, fios de cabelo, uma camiseta de Dé e um caixão contendo um boneco apunhalado no peito. Frejat, com seu humor ácido, quebrou o clima de tensão: "Esse era pra mim."
Coincidência (ou não), depois desse ritual bizarro, a maré começou a virar. O álbum seguinte, "Carnaval" (1988), emplacou hits como "Pense e Dance" e "O Tempo Não Para", composta por Cazuza mas gravada pelo Barão antes mesmo do cantor lançar sua versão solo. O sucesso foi tanto que o grupo voltou ao topo, colocando fim ao inferno astral. O feitiço finalmente tinha sido quebrado.
O vídeo completo de Júlio Ettore com muito mais detalhes pode ser visto no player abaixo.
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