Como foi a saída de Michael Kiske do Helloween em 1993, segundo o próprio vocalista
Por Mateus Ribeiro
Postado em 04 de março de 2025
Dono de uma voz única e incomparável, o cantor e compositor alemão Michael Kiske se tornou um nome popular no mundo do heavy metal em 1986, quando se juntou ao Helloween. Como frontman do icônico grupo, ele gravou dois álbuns que figuram entre os maiores clássicos do power metal: as partes I e II de "Keeper of the Seven Keys", lançadas respectivamente em 1987 e 1988.
Kiske entrou no Helloween como substituto de Kai Hansen, que também atua como guitarrista e foi um dos fundadores da banda. Durante entrevista concedida à Classic Rock em 2016, Hansen disse que cantar não era exatamente sua praia.
"Nunca me considerei um cantor. Eu gritava. E não era disciplinado. Beber e fumar muito não ajuda a cantar bem."

Também à Classic Rock, Kiske afirmou que não gostou do que ouviu no primeiro disco do Helloween (lançado em 1985). Porém, o guitarrista Michael Weikath (um dos fundadores do grupo, ao lado de Hansen) falou as palavras certas para o jovem cantor.
"Ouvi ‘Walls of Jericho’ e não gostei muito. Mas então Weiki ligou. Ele me disse as coisas certas: ‘Queremos fazer mais, queremos ampliar, precisamos de um cantor como você’. Eles escreveram as músicas de ‘Keepers’ para mim."
Então, Kiske se tornou membro do Helloween e gravou os dois álbuns mencionados acima. Porém, alguns meses depois que a parte II de "Keepers…" foi lançada, Hansen deixou a banda. E as coisas começaram a complicar para o lado do talentoso vocalista.
"Kai tem sua própria maneira de ver a situação. Na minha opinião, ele estava projetando problemas que tinha em sua própria vida. Sim, houve discussões, mas em geral todos estavam se divertindo. Quando ele foi embora, eu nem pensei que seria um grande problema, tamanha era a minha ingenuidade. Ele fazia parte da banda, mas era uma parte importante - ele não era a banda, como algumas pessoas gostam de dizer. Mas assim que ele não estava mais lá, todo o espírito ficou diferente. Virou um pesadelo."
O primeiro álbum do Helloween sem Hansen é "Pink Bubbles Go Ape", de 1991. Aparentemente, Kiske não guarda boas lembranças desse disco.
"A situação toda era ruim. Gastamos uma fortuna em um estúdio na Dinamarca, mas não havia inspiração."
Michael Kiske ainda gravou mais um disco com o Helloween, "Chameleon", lançado em 1993. Em dezembro do mesmo ano, ele fez seu último show como membro do influente quinteto.
"Eu queria sair, mas não tive coragem de sair. Eles me demitiram, mas antes que isso acontecesse eu fiz certas declarações para forçá-los a isso. Eu tive uma conversa com Roland [Grapow, guitarrista que substituiu Hansen] e disse: ‘Acho que depois desse disco eu vou embora’. Quando você diz coisas assim, o que você espera que aconteça?"
Felizmente, os ponteiros se acertaram, e em 2016, Michael Kiske e Kai Hansen retornaram ao Helloween, que se tornou um septeto. O trabalho que marca a volta da dupla é o álbum autointitulado do grupo, lançado em 2021.
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