O clássico do Megadeth que não recebeu o devido respeito, na opinião de Dave Mustaine
Por Mateus Ribeiro
Postado em 05 de abril de 2025
Com mais de 40 anos de carreira, o Megadeth é um dos nomes mais relevantes no cenário da música pesada. Sob a liderança do guitarrista e vocalista Dave Mustaine, o grupo vendeu milhões de discos e continua realizando grandes apresentações, geralmente acompanhadas por plateias numerosas.
A discografia do Megadeth apresenta dois grandes clássicos do thrash metal: "Peace Sells… But Who's Buying?" (1986) e "Rust in Peace" (1990). Aliás, o segundo deles é considerado, com razão, a obra-prima da banda.
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Curiosamente, a partir de "Rust in Peace", Dave Mustaine e seus parceiros na época — o guitarrista Marty Friedman, o baixista David Ellefson e o baterista Nick Menza — deixaram um pouco o thrash metal de lado e passaram a investir em uma sonoridade mais cadenciada. A aposta rendeu bons resultados, como pode ser ouvido nos excelentes "Countdown to Extinction" (1992) e "Youthanasia" (1994).
Sexto álbum de estúdio do Megadeth, "Youthanasia" traz uma das músicas mais famosas do quarteto: "A Tout Le Monde", uma balada melancólica que, de acordo com entrevista concedida por Mustaine à Spin Magazine, foi inspirada por um sonho.
"Basicamente, tratava-se de um sonho que tive em que... minha mãe morreu de repente, e foi muito chocante. Em meu sonho, minha mãe conseguiu voltar à Terra e dizer apenas uma coisa. E essa única coisa era: ‘Eu te amo’. Pensei que seria ótimo se eu pudesse, quando fosse para o céu, voltar e dizer uma coisa para as pessoas que amo — eu gostaria de dizer: ‘Eu te amo’."

"A Tout Le Monde" se tornou um hit do Megadeth. Porém, na opinião de Dave Mustaine, a música não recebeu o devido reconhecimento, como ele afirmou à Metal Hammer em 2007.
"Essa música nunca foi respeitada pela gravadora [Capitol], ou por ninguém, exceto eu e os fãs. Por ser uma das minhas músicas mais bonitas, pensei que merecia uma chance melhor antes de me aposentar."
A "segunda chance" de "A Tout Le Monde" veio em 2007, quando Mustaine decidiu regravá-la. A nova versão contou com a participação de Cristina Scabbia, vocalista da banda italiana de gothic metal Lacuna Coil. O líder do Megadeth, que convidou outras cantoras, explicou a escolha, em comunicado publicado pelo Blabbermouth na época do lançamento da música.

"A primeira cantora não deu certo, a segunda não deu certo, e a terceira foi Lisa Marie Presley. Ela estava a caminho do aeroporto, e tivemos que ligar e dizer: 'Desculpe, mudamos de ideia'. Eu adoraria ter ouvido o que Lisa Marie Presley teria feito, mas por causa da demografia da base de fãs do Lacuna Coil, e do reinado de Cristina no ramo do heavy metal, foi a coisa certa a fazer."
Cristina declarou que ficou surpresa com o convite. A frontwoman também fez comentários sobre as duas versões de "A Tout Le Monde".
"Foi uma grande surpresa para mim receber esse convite - fiquei muito honrada em fazer parte disso. E, falando sério, quando ouvi o resultado final, fiquei incrivelmente surpresa, porque acho que as duas vozes estão se encaixando incrivelmente [bem]. Acho que a versão de ‘A Tout le Monde’ de 2007 tem uma atitude mais forte. Se a versão original era para um clima suave, essa é muito mais rock, muito mais poderosa. Eu adorei. Eu mesmo fiquei surpresa, e acho que muitas pessoas ficarão agradavelmente surpresas."

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