O disco do AC/DC que muitos consideram o pior - mas, puxa vida, não é tão ruim assim...
Por Bruce William
Postado em 28 de junho de 2025
Na virada dos anos 1980, o AC/DC viveu sua fase mais intensa de sucesso. Três discos seguidos - "Highway to Hell", "Back in Black" e "For Those About to Rock (We Salute You)" - consolidaram a banda como uma das maiores do planeta, misturando peso, energia e simplicidade com uma fórmula que funcionava bem demais. Só que manter esse nível se mostrou mais difícil do que parecia.
Após "For Those About to Rock", o grupo se viu pressionado. Era hora de gravar o disco seguinte, e qualquer caminho parecia perigoso: repetir a fórmula podia cansar, mudar o som seria arriscado. A saída escolhida por Angus e Malcolm Young foi romper com tudo. Dispensaram o produtor, o empresário e até o baterista. Decidiram gravar o novo trabalho por conta própria, sem interferência externa, buscando um som mais cru e direto, quase como se estivessem captando um show ao vivo em estúdio.

O resultado foi "Flick of the Switch", lançado em 1983. E a recepção foi fria. A maioria dos fãs e críticos viu o disco como uma queda brusca de qualidade. A produção mais suja e menos polida, somada à ausência de um hit de impacto, fez com que muitos considerassem o álbum como o pior da carreira da banda. Até hoje, ele costuma ser lembrado com pouco entusiasmo.
Mas isso não significa que o disco seja ruim. "Flick of the Switch" tem bons momentos, e está longe de ser um fracasso total. O problema foi a comparação direta com os três álbuns anteriores, que colocaram o sarrafo nas alturas. O AC/DC resolveu seguir o instinto, voltando à base, e pagou o preço por isso. "Eles buscaram o som mais cru possível, como se estivessem gravando ao vivo", analisa um crítico em texto publicado na Far Out. "Era uma boa ideia, mas não caiu bem para quem esperava algo tão amarrado quanto os discos anteriores."
Outro fator que pesa é que, na essência, o AC/DC sempre fez variações da mesma fórmula. E é justamente isso que faz "Flick of the Switch" soar tão diferente: ele tenta manter essa base, mas com uma produção que quebra a uniformidade sonora dos álbuns anteriores. Em vez de parecer uma continuação, soa quase como um desvio de rota.
Angus Young já declarou que o disco mais representativo da banda é "Let There Be Rock", pois foi ali que o AC/DC decidiu de vez que não seguiria tendências, fossem punk, new wave, não importa, e nem modismos de estúdio. O problema é que, em "Flick of the Switch", essa convicção veio num momento em que o mundo esperava mais do que apenas convicção: esperava outro clássico.
No fim das contas, o álbum nunca teve uma segunda chance de verdade. Talvez porque, diferente de "Powerage" ou "Blow Up Your Video", ele nunca teve um resgate crítico ou nostálgico com o passar do tempo. Mas para quem se dispõe a ouvir sem pré-julgamento, o disco ainda guarda boas ideias, riffs fortes e a energia que sempre marcou o AC/DC. Pode não ser o melhor trabalho da banda. Mas também não é o desastre que muitos gostam de dizer que foi.
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