O Queen não foi o grande herói do Live Aid, diz fundador do evento ao apontar outro nome
Por Bruce William
Postado em 17 de julho de 2025
O Live Aid entrou para a história como um dos maiores eventos beneficentes da música, mas, quase 40 anos depois, Bob Geldof resolveu colocar os pingos nos is. Para o fundador do festival, a atuação do Queen foi brilhante, mas quem de fato virou o jogo naquele 13 de julho de 1985 foi David Bowie.
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Em entrevista ao The New York Times, Geldof criticou o modo como o filme "Bohemian Rhapsody" tratou o assunto. Embora reconheça a força do Queen no palco, ele garante que a reviravolta no engajamento do público aconteceu depois do show de Bowie. "O filme não está certo. O Queen foi completamente, absolutamente brilhante. Mas as linhas telefônicas caíram depois que o David Bowie se apresentou", afirmou.
Segundo Geldof, o momento decisivo veio logo após Bowie cantar "Heroes" com o estádio inteiro acompanhando. Emocionado, o cantor propôs cortar uma música do set para exibir no telão um documentário da CBC sobre a fome na Etiópia. "Ele estava chorando e disse que abriria mão de uma música para mostrar o vídeo. Foi um momento extraordinário. No fim de 'Heroes', com a plateia cantando junto, ele simplesmente apresenta o clipe e pede que as pessoas façam suas doações."
Para Geldof, foi esse gesto que realmente impactou o público. "Foi como um tapa na cara. O Bowie destruiu tudo. Esse foi o momento-chave." Embora o Queen tenha marcado presença com uma das performances mais celebradas da história do rock, Geldof garante que a virada na arrecadação aconteceu ali, quando Bowie soube usar o palco não só para cantar, mas para mobilizar o mundo.
O Live Aid reuniu cerca de 162 mil pessoas em Londres e na Filadélfia, com transmissão global para 1,5 bilhão de espectadores, algo inédito até então. Mais de 70 artistas tocaram durante um evento de 16 horas, montado em poucos meses para arrecadar fundos contra a fome na Etiópia. No fim, o festival superou todas as expectativas e arrecadou mais de US$ 245 milhões, estabelecendo um novo padrão para eventos humanitários ligados à música.
O impacto do Live Aid se estendeu muito além do dinheiro arrecadado. O festival virou referência para futuras campanhas beneficentes e mudou a forma como artistas passaram a se envolver em causas sociais. De certa forma, a decisão de Bowie naquele palco mostrou que, em um evento como aquele, uma música a menos podia valer muito mais que um solo de guitarra ou um coro de estádio.
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