A igreja que rachou o U2 e (quase) fez Bono e The Edge desistirem da carreira musical
Por André Garcia
Postado em 16 de julho de 2025
Em 1980, inspirado por bandas post punk como Joy Division, The Cure e Siouxsie and the Banshees, o U2 lançou seu álbum de estreia, chamado "Boy". Se no primeiro disco a gravação fluiu bem porque a banda já tinha suas músicas prontas e testadas ao vivo, no caso no segundo, "October", foi bem diferente.
U2 - Mais Novidades
Michael Hutchence, vocalista do INXS, dizia que o primeiro disco você tem 20 anos para escrever, já o segundo você tem quatro dias.
O U2 teve dificuldades para escrever músicas novas assim, sob demanda, sob pressão, e o processo se tornou lento, frustrante e penoso tanto para Bono quanto para The Edge. Para piorar, pessoas próximas a três dos quatro membros ficavam tentando fazer a cabeça deles para deixarem a banda.
Bono, The Edge e o baterista Larry Mullen eram membros da igreja Shalom Fellowship, que encorajava seus fiéis a abandonarem as coisas mundanas e se dedicarem a Deus.
Conforme publicado pela Classic Rock, na biografia U2 by U2 Bono relembra que eles estavam tentando conciliar "premissas totalmente contrastantes".
"Por um lado, [a gente queria] tentar ser o mais verdadeiro possível em termos espirituais; e, por outro, [a gente queria] estar na melhor banda de rock n roll que poderíamos ser. Então havia uma incerteza em seguir em frente."
"Edge saiu da banda", Bono acrescenta. "Mas ele não contou para a banda, só para mim, e eu não estava interessado em continuar na banda se ele não estivesse. Ele disse: 'É ótimo o que estamos fazendo, mas existe outro mundo lá fora e é disso que quero fazer parte. E a verdadeira cura para os problemas do mundo não está numa banda de post-punk'."
Irônica a fala do The Edge, porque anos depois o U2 entraria naquele que talvez tenha sido o maior complexo de messias já vivido por uma banda de rock.
Em 1992 The Edge falou sobre sua breve desistência do U2 a minimizando:
"Eu, na verdade, não saí da banda, mas teve um período de duas semanas em que coloquei tudo em pausa e disse: 'Olha, não consigo continuar com a minha consciência nesta banda no momento. Então, pausem tudo que eu quero me afastar e pensar sobre isso. Preciso só de algumas semanas para reavaliar para onde estou indo e se realmente posso me comprometer com esta banda; ou se, neste ponto, preciso simplesmente me retirar dela'. Porque muita gente nos dizia: 'Isso é impossível! Vocês são cristãos, não podem estar em uma banda de rock. Isso é uma contradição e vocês têm que decidir seguir por um caminho ou por outro'. Disseram muita coisa pior que isso também…"
"Eu estava meio que cansado de as pessoas não saberem direito, e de eu mesmo não saber se isso era certo para mim. Então, tirei duas semanas. Em um ou dois dias, eu simplesmente soube que tudo aquilo era besteira."
Felizmente, Edge desistiu de desistir do U2. Ele, Bono e Larry se afastaram da tal igreja e voltaram a se dedicar à banda e concluíram o "October" (1981). "October" acabou sendo um fracasso comercial, mas, no disco seguinte, "War" (1983) eles voltaram com tudo e emplacaram seu primeiro sucesso comercial, alavancado pelos hits "Sunday Bloody Sunday" e "New Years Day".
Tinha início ali a fase em que eles viraram heróis da música de protesto, e viraram um dos maiores nomes do stadium rock. Tanto que em 1985 no Live Aid eles se consagraram de vez com uma execução épica de "Bad". Eles foram um dos poucos capazes de fazerem frente à lendária apresentação feita pelo Queen.
Apesar de viverem em uma banda de rock, 3/4 do U2 seguiram sendo cristãos — e sua fé vez ou outra dá as caras em suas letras em forma de citação bíblica ou algo assim. Um ótimo exemplo disso é "Wake Up Dead Man", do "Pop" (1997), cuja letra não poderia ser mais claramente religiosa. Ela já começa dizendo:
Jesus
Jesus me ajude
Eu estou sozinho neste mundo
E que mundo f*dido é esse em que vivemos
Teve até uma época em que Bono em certo momento dos shows cantava segurando um terço (o que Rita Lee dizia que achava "cafonérrimo").
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Summer Breeze anuncia mais 33 atrações para a edição 2026
A opinião de Sylvinho Blau Blau sobre Paulo Ricardo: "Quando olha para mim, ele pensa…"
O disco que define o metal, na opinião de Ice-T
O astro que James Hetfield responsabilizou pelo pior show da história do Metallica
Quando Ian Anderson citou Yngwie Malmsteen como exemplo de como não se deve ser na vida
A banda essencial de progressivo que é ignorada pelos fãs, segundo Steve Hackett
O subgênero essencial do rock que Phil Collins rejeita: "nunca gostei dessa música"
O disco "odiado por 99,999% dos roquistas do metal" que Regis Tadeu adora
Os dois membros do Sepultura que estarão presentes no novo álbum de Bruce Dickinson
Para Ice-T, discos do Slayer despertam vontade de agredir as pessoas
O álbum que Regis Tadeu considera forte candidato a um dos melhores de 2026
Por que Max Cavalera andar de limousine e Sepultura de van não incomodou Andreas Kisser
Box-set compila a história completa do Heaven and Hell
O músico que detestou abrir shows do Guns N' Roses no início dos anos 1990
A lendária banda de rock progressivo que quase anunciou Jimi Hendrix como guitarrista


São Paulo pode ter mega show como Copacabana; Stones, U2 e Foo Fighters são cotados
O álbum do U2 que para Bono não tem nenhuma música fraca, mas também é difícil de ouvir
Prefeito de SP quer trazer U2, Rolling Stones ou Foo Fighters para show gratuito
O guitarrista do próprio país que The Edge acha que todo mundo deveria agradecer
Os 11 maiores discos de onze bandas gigantes dos anos oitenta, segundo a Loudwire
Os discos do U2 que Max Cavalera considera obras-primas
O cantor que Bono disse que ninguém conseguiria igualar; "ninguém podia ser como ele"
Vampeta explica por que se tornou fã de Guns N' Roses e U2


