A banda que mudou a forma de Axl Rose enxergar a música, segundo o próprio
Por Gustavo Maiato
Postado em 29 de agosto de 2025
O Guns N’ Roses surgiu no final dos anos 1980 como a banda que trouxe de volta o veneno ao rock de Los Angeles. Liderados por Axl Rose, os norte-americanos se destacaram pelo som cru, cheio de guitarras cortantes e vocais gritados, em contraste com o brilho superficial do glam rock que dominava a cena.
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O álbum de estreia "Appetite for Destruction" (1987) resume bem essa proposta, mas há uma exceção no repertório: "Sweet Child O’ Mine". Com introdução marcante, refrão pegajoso e um clima quase romântico, a faixa destoava das demais. Tanto que Slash admitiu não gostar dela. "O Guns sempre foi uma banda hardcore, tipo AC/DC com atitude. Se fazíamos baladas, eram blues. Essa era uma balada acelerada. Uma das coisas mais gays que você pode escrever", disse o guitarrista, rindo. As entrevistas foram resgatadas pela Far Out.
Apesar da resistência, Axl insistiu na inclusão da canção, que acabou se tornando um dos maiores clássicos do rock. O episódio mostrou como o vocalista estava disposto a explorar novas sonoridades, algo que viria a se consolidar nos álbuns duplos "Use Your Illusion I e II" (1991). Ali, o Guns exibiu sua versatilidade em músicas tão diferentes quanto "Coma", "Don’t Cry", "Estranged" e "November Rain".

Axl Rose e Queen
Para Axl, essa busca pela variedade tinha uma inspiração clara: o Queen. O vocalista sempre declarou profunda admiração pela banda britânica, especialmente pela forma como Freddie Mercury e companhia não se limitavam a um único estilo. "Quando eles lançavam um disco novo com todos aqueles estilos diferentes, no começo eu só gostava de uma ou duas músicas. Mas, depois de ouvir várias vezes, aquilo me abria a mente para muitos estilos diferentes", afirmou.
Ele reforçou o quanto essa postura foi decisiva para a sua própria carreira: "Eu realmente aprecio isso neles. É algo que sempre quis alcançar: mostrar às pessoas todas as formas de música e tentar dar uma visão mais ampla", explicou.

Em outra ocasião, Axl foi questionado sobre quem seria o melhor cantor da história e sua resposta foi Freddie Mercury. "Para mim, é fácil – o Queen é a maior banda. Freddie é o maior frontman de todos os tempos". A admiração pelo grupo britânico e por seu vocalista sempre acompanhou o cantor, desde os primeiros passos do Guns.
Para Rose, a grandeza de Mercury está na versatilidade vocal e na teatralidade com que abordava cada canção. "‘Bohemian Rhapsody’ é praticamente um show solo. Ele parecia ser várias pessoas em uma só música", comentou, destacando a capacidade do ídolo em transitar por estilos e climas distintos.

Essa visão dialoga com outro elogio que Axl já havia feito ao Queen. Em 1987, aos 25 anos, ele afirmou que o álbum "Queen II" (1974) era "o disco mais bem gravado da história do rock, no mesmo nível de "The Wall" [Pink Floyd]". Apesar de não ter sido um sucesso comercial nos EUA, o disco impressionou Rose pelo caráter artístico e pela ousadia de suas composições.

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