A guitarra que mudou a vida de Lemmy do Motorhead e Ian Anderson do Jethro Tull
Por Bruce William
Postado em 22 de setembro de 2025
Antes de ser conhecido como o homem da flauta, Ian Anderson tentou carreira como guitarrista. Ele próprio contou que a decisão de trocar de instrumento veio quando percebeu que jamais alcançaria o nível de Eric Clapton. "O Eric Clapton que me refiro é aquele de 1966, tocando com John Mayall & The Bluesbreakers. Muito fluente, radical dentro do contexto do blues. Eu nunca seria tão bom quanto ele, simples assim", admitiu.
O futuro líder do Jethro Tull já tinha sua banda em formação em 1967, mas ainda imersa no blues tradicional. O cenário mudou quando Beatles e Pink Floyd lançaram discos que ampliaram os horizontes criativos. Anderson então decidiu se reinventar: se despediu da guitarra e comprou uma flauta apenas porque o instrumento "brilhava e parecia bonito". Essa escolha definiu para sempre a identidade do Jethro Tull.

O detalhe curioso é que a guitarra de Anderson tinha um dono anterior: Lemmy Kilmister. Antes de fundar o Motörhead, ele foi guitarrista dos Rockin' Vickers. Sem dinheiro, acabou deixando o instrumento para trás, já que, como contou anos depois, as guitarras pertenciam às bandas. "Quando alguém saía, a guitarra ficava para o próximo. Fazia muito sentido", explicou.
Lemmy lembrava com humor do período em que ainda arranhava a guitarra. "Eu era tão medíocre que mudei para o baixo", disse. Esse estilo inusitado de tocar baixo como se fosse guitarra rítmica ainda geraria atritos no Motörhead, como quando Brian Robertson se queixava da falta de graves. Lemmy não cedia: "Eu toco baixo como guitarra rítmica. O que te faz pensar que eu quero um som de baixo?.
Em outra entrevista, Ian Anderson contou um episódio mais prosaico: "Lemmy nunca tinha dinheiro. Eu emprestei uma libra para ele e, claro, nunca a recebi de volta". Pouco depois, o futuro baixista foi obrigado a vender sua Stratocaster de volta à loja de música de Blackpool. Anderson a comprou em prestações, mas logo a trocou por uma flauta e um microfone Shure Unidyne III.
O negócio, aparentemente ruim, acabou sendo decisivo. "O total foi algo como 60 libras em flauta e microfone contra uma guitarra que hoje valeria 40 ou 50 mil dólares. Parecia um mau negócio, mas provavelmente foi o melhor da minha vida", refletiu Anderson.
Assim, a Stratocaster que passou pelas mãos de dois ícones não foi um instrumento maldito, como poderia parecer. Pelo contrário: ao "rejeitá-la", Lemmy e Anderson descobriram suas verdadeiras vocações. O baixo agressivo do Motörhead e a flauta do Jethro Tull nasceram daquela guitarra esquecida, cujo paradeiro segue incerto. Talvez esteja guardada em algum porão, talvez tenha se perdido no tempo - mas o curioso é pensar que dois gigantes do rock a tiveram em mãos sem jamais se consagrarem como guitarristas.
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