Os tipos de canções do Guns N' Roses que Axl afirma terem sido as "mais difíceis" de compor
Por Bruce William
Postado em 28 de outubro de 2025
No Guns N' Roses, nada saía no susto. Mesmo quando a banda parecia pura urgência, havia horas de repetição até cada parte se encaixar. Desde cedo, Axl tratou música como lapidação: se a ideia não estava pronta, ela esperava. "Chinese Democracy" virou o exemplo extremo; mas a semente desse método já estava lá nos anos seguintes ao "Appetite".
Quando chegou a hora de mirar além do primeiro sucesso, o vocalista escolheu um caminho menos óbvio. Enquanto uma parte da base queria manter o hard rock direto, ele puxou o grupo para arranjos amplos, melodias longas e um protagonismo do piano que mudava o eixo das composições. O resultado, em "Use Your Illusion", foi uma banda dividida entre dois impulsos.
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A contrapartida desse movimento era o preço criativo. Axl então descreveu quais peças mais o drenavam, e explicou o motivo. Nas palavras dele durante entrevista com a Rolling Stone em 1989 (via Far Out): "As músicas mais importantes neste momento são as com piano, as baladas, porque ainda não exploramos esse lado da banda. Elas também são as músicas mais difíceis de fazer - não difíceis de tocar, mas de escrever e arrancar de nós mesmos. A música bonita é o que realmente me faz sentir um artista. As outras coisas, mais pesadas, também me fazem sentir um artista e podem ser difíceis de escrever. Mas é mais difícil escrever sobre emoções sérias."
Por trás dessa fala está a engenharia das baladas longas do período: linhas de piano que precisavam conduzir a narrativa, orquestração que não podia pesar a mão e letras menos "de estalo" e mais trabalhadas em sentimento. Era o tipo de composição que pedia tempo - e testes - até soar inevitável.
No estúdio, isso significava múltiplas versões, cortes e rearranjos. Para quem vinha do impulso de riffs e refrões na veia, assistir a esse processo era, no mínimo, cansativo. Para Axl, porém, era aí que a coisa virava arte de verdade: alcançar uma forma que sustentasse a canção mesmo sem a energia bruta do volume.
O curioso é que esse esforço mais demorado conviveu, no mesmo pacote, com faixas diretas que mantinham a agressividade do "Appetite". A fricção entre esses dois mundos explica parte da sensação de excesso que muitos sentem no "Illusion" - e também por que as peças ao piano, quando funcionam, parecem "maiores que a banda".
Anos depois, "Chinese Democracy" confirmaria que o método só ficaria mais meticuloso. Mas o parâmetro usado por Axl para medir dificuldade não mudou: escrever sobre emoções sérias, em estruturas abertas e conduzidas pelo piano, era - e continuou sendo - o verdadeiro desafio.
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