O que realmente fez Bill Ward sair do Black Sabbath após "Heaven & Hell", segundo Dio
Por Gustavo Maiato
Postado em 27 de outubro de 2025
O Black Sabbath vivia um novo momento em 1980. Com Ronnie James Dio assumindo os vocais após a saída de Ozzy Osbourne, o grupo parecia renascer das cinzas com o aclamado álbum "Heaven and Hell". No entanto, pouco depois do sucesso do disco, o baterista Bill Ward, um dos fundadores da banda, decidiu sair - uma mudança que surpreendeu fãs e colegas.
Durante uma entrevista de 1981 para a Radio Trent Nottingham, recentemente redescoberta e transcrita pelo Ultimate Guitar, Dio explicou as verdadeiras razões por trás da saída do músico. Segundo ele, Ward enfrentava um período de fragilidade emocional após sofrer perdas familiares devastadoras.
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"Bill Ward saiu por vontade própria", disse Dio. "Ele sentiu que, mentalmente, estava ficando muito sobrecarregado. A mãe e o pai dele morreram em um intervalo de cerca de nove meses um do outro. Eles eram muito próximos, e isso foi um golpe e tanto para ele."
O cantor revelou que Ward chegou a deixar a turnê duas vezes para tentar lidar com a situação, mas acabou percebendo que não tinha condições de continuar. "Estávamos no estúdio quando a mãe dele morreu. Ele teve que sair da turnê duas vezes nos Estados Unidos porque simplesmente não aguentava mais mentalmente", contou. "Ele veio até nós e disse: 'Olha, eu realmente não acho que consigo continuar. Podemos parar por um tempo?'"
Segundo Dio, o Sabbath chegou a interromper suas atividades momentaneamente, mas a pausa não foi suficiente para que o baterista se recuperasse. Ward então sugeriu um substituto e se afastou de forma amigável. "Ele disse: 'Eu realmente não quero prosseguir. Vou dar a vocês algumas sugestões de bateristas.' E foi ele quem indicou o Vinny [Appice], nosso baterista atual."
Apesar da mudança, Dio garantiu que a relação entre Ward e o resto da banda permaneceu positiva. "Ainda temos um relacionamento muito próximo com o Bill. Nós nos importamos com ele tanto quanto sempre nos importamos, e o Bill se importa conosco da mesma forma", afirmou.
Mesmo com o respeito à decisão do amigo, o Black Sabbath não podia se dar ao luxo de interromper o momento de renascimento que vivia com Dio nos vocais. "Não podíamos parar no meio do caminho, nem financeiramente nem do ponto de vista de negócios", explicou o vocalista. "Era um ano de renovação para esta banda. Estávamos lutando para renascer das cinzas, por assim dizer. E se parássemos, acho que isso teria freado o ímpeto que havíamos conquistado."
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