David Gilmour lembra processo do "Dark Side of the Moon" e "Wish You Were Here"
Por Gustavo Maiato
Postado em 10 de outubro de 2025
Poucos guitarristas conseguiram transformar notas simples em algo tão profundo quanto David Gilmour. Aos 79 anos, o eterno integrante do Pink Floyd segue sendo um dos músicos mais admirados do rock por sua capacidade de fazer a guitarra "falar" com alma - uma marca que o próprio reconhece como sua essência. Em entrevista à NPR, o britânico falou sobre sua relação com o instrumento e relembrou a fase de incertezas que viveu logo após o sucesso monumental de "The Dark Side of the Moon".
Gilmour explicou que nunca teve interesse em ser um guitarrista veloz ou técnico demais. "Eu simplesmente não penso muito nisso. Há uma música acontecendo, um momento em que você se inspira... e aí apenas tenta. Não costumo planejar o que vai ser novo ou diferente. Estou sempre em busca de uma emoção, no momento", afirmou. Ele completou: "Sabe, não sou tão rápido na guitarra - e nem quero ser, mesmo que pudesse. É o que eu amo, é o que fiz a vida inteira. Comecei em bandas aos 16 ou 17 anos e nunca parei".

O músico também comentou o processo criativo por trás de "Wish You Were Here", álbum que completa 50 anos em 2025 e que sucedeu o fenômeno "The Dark Side of the Moon". Segundo ele, o grupo enfrentava uma espécie de bloqueio criativo e uma crise de propósito. "Estávamos em um lugar muito estranho. Havia muita letargia no estúdio, muita dificuldade para retomar o ritmo de trabalho. Demorou bastante. Parte do título do disco e da música vem disso - da visão de Roger [Waters] de que alguns de nós não estávamos realmente ali o tempo todo", confessou.
A pressão para repetir o sucesso do álbum anterior era imensa, e Gilmour admite que o grupo precisou se questionar profundamente. "Você começa a pensar: está fazendo isso por mais fama? Por mais dinheiro? Porque todas as coisas com que sonhava quando era adolescente já se realizaram. Então precisa se perguntar: eu realmente amo a música ou amo a fama e o que vem com ela? Acho que cheguei à conclusão de que era mesmo pela música", declarou.
Essa reflexão resume a postura de Gilmour diante da carreira: a arte sempre em primeiro lugar, mesmo diante de dúvidas e conflitos. Sua trajetória mostra que técnica pode impressionar, mas é a emoção - aquela que nasce no instante de um solo - que transforma um som em algo eterno.
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