As melhores músicas grunge feitas por 5 bandas de hair metal, segundo a Loudwire
Por Gustavo Maiato
Postado em 30 de novembro de 2025
Nos anos 1990, o grunge redefiniu o rock pesado - e deixou para trás praticamente toda a cena glam/hair metal dos anos 1980. De repente, laquê, hedonismo e baladas açucaradas ficaram fora de moda, substituídos por camisas de flanela, letras sombrias e guitarras desafinadas. Mas, como destaca o jornalista Bryan Rolli, da Loudwire, algumas dessas bandas conseguiram, ao menos artisticamente, atravessar a transição com dignidade.

Rolli lembra que, ainda que comercialmente esses grupos estivessem "fadados ao fracasso apenas pelo nome que carregavam", vários deles lançaram material pesado, moderno e surpreendentemente alinhado ao clima grunge da época. "Algumas incursões ao grunge renderam músicas excelentes e pesadíssimas", observa o jornalista.
A seguir, destacamos as cinco canções eleitas pela Loudwire como as melhores tentativas grunge de bandas de hair metal - cada uma mostrando como esses artistas tentaram se reinventar durante uma mudança sísmica no cenário musical.
Dokken – "Too High to Fly" (1995)
Rolli contextualiza que o álbum "Dysfunctional" começou como um projeto solo de Don Dokken, até que George Lynch retornou à formação original. Mesmo mantendo os vocais melódicos e a técnica tradicional, o disco tinha uma sonoridade mais escura e pesada.
Segundo ele, "ninguém confundiria Dysfunctional com um álbum grunge, mas também não dá para colocá-lo ao lado dos discos dos anos 80 da banda".
A faixa "Too High to Fly" virou presença constante nos shows e se destaca pelos riffs bluesy e pela vibração soturna - uma tentativa sincera de atualizar a fórmula sem perder identidade.
Extreme – "Hip Today" (1995)
Mesmo nos dias de cabelo armado, o Extreme nunca foi totalmente "glam". A banda transitava entre funk metal, pop acústico e experimentalismo.
Rolli explica que "Waiting for the Punchline" marcou uma guinada completa para o alt-rock, com um clima cru e sombrio:
"O single 'Hip Today' mostrou o Extreme colocando sua própria marca no grunge e alt-rock da época."
O groove do baterista Mike Mangini e o baixo de Pat Badger conduzem o som, enquanto Nuno Bettencourt entrega um solo que prova que virtuosismo não precisa morrer no processo.
Motley Crue – "Misunderstood" (1994)
Para Rolli, esse é talvez o caso mais emblemático da lista. A troca de Vince Neil por John Corabi transformou completamente o som da banda - e assustou tanto a crítica quanto o mercado.
Ele escreve: "Se tivesse sido lançado sob outro nome, Motley Crue seria saudado como um clássico do grunge/alternative metal".
"Misunderstood", com mais de seis minutos, alterna momentos acústicos delicados com explosões pesadas, sustentadas pela bateria monumental de Tommy Lee. Corabi, com seu timbre áspero, entrega uma das performances mais fortes de sua carreira.
Skid Row – "Beat Yourself Blind" (1995)
A gravação de "Subhuman Race" foi turbulenta, com tensão entre Sebastian Bach e o produtor Bob Rock. Bach chegou a dizer que Rock queria que ele cantasse "como Scott Weiland", desabafando:
"Por que você bateria com um taco de beisebol no joelho de um puro-sangue?"
O resultado, porém, é um álbum pesado, tenso e denso. Rolli destaca que "Beat Yourself Blind" traz Bach canalizando Chris Cornell, gritando com intensidade brutal sobre riffs graves e climáticos.
Mesmo que tenha sido difícil de fazer, Rolli conclui: "É um disco desagradável de gravar, mas eletrizante de ouvir."
Warrant – "Letter to a Friend" (1996)
Jani Lane sempre foi um compositor pop por trás da estética glam - e isso fica claro quando a banda abraça o alt-rock de vez em "Belly to Belly".
Segundo Rolli, "a faixa e o álbum inteiro podem repelir fãs antigos, mas são melódicos e melancólicos na medida certa".
Com clima introspectivo que lembra Bush ou Silverchair, "Letter to a Friend" mostra um Lane vulnerável, emocional e adaptado ao novo ambiente musical.
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