A banda que ajudou a inventar o punk mesmo longe de Londres e Nova York
Por Gustavo Maiato
Postado em 22 de novembro de 2025
Antes de Londres e Nova York se tornarem os centros mais citados quando o assunto é a origem do punk, uma banda distante desses circuitos já experimentava sons rápidos, agressivos e cheios de atitude. Vindo de Brisbane, na Austrália, o The Saints é frequentemente lembrado por músicos e estudiosos como um dos pilares do punk - mas continua sendo pouco conhecido do grande público. A constatação aparece com força no novo vídeo do jornalista cultural André Barcinski, que revisita a história da banda e a importância de sua fase clássica.

A motivação da análise é a turnê internacional "The Saints 73–78", que vem passando pela Oceania, Europa e Estados Unidos. Segundo Barcinski, trata-se de "uma das turnês mais legais do ano de 2025", por reunir dois integrantes originais - o guitarrista Ed Kuepper e o baterista Ivor Hay - ao lado de convidados de peso, como Mick Harvey (ex-Bad Seeds), Peter Oxley (Sunnyboys) e o vocalista Mark Arm, do Mudhoney. "Imaginem o Saints tocando com Mick Harvey na guitarra e Mark Arm cantando", comenta Barcinski no vídeo, chamando a atenção para o caráter quase histórico do encontro.
O The Saints surgiu em 1973, antes mesmo de Ramones, Sex Pistols ou The Clash lançarem seus primeiros álbuns. Como relembra Barcinski, "eles eram meio uma banda isolada na Austrália, numa cena onde praticamente não existia punk". A falta de espaços para tocar era tão grande que os músicos chegaram a transformar o local de ensaio em um pequeno clube próprio.
Em 1977, lançaram "I'm Stranded", hoje visto como um marco do proto-punk. Barcinski recorda o impacto do disco na época:
"Bob Geldof falou do choque que foi ouvir esse primeiro disco do Saints. E o Nick Cave, que morava na Austrália, era fã e viu muitos shows da banda."
Como muitas bandas australianas, o The Saints se mudou para a Inglaterra em busca de melhores oportunidades. Lá lançaram "Eternally Yours" (1978), que, segundo Barcinski, é "um disco menos punk e mais ligado ao rhythm & blues, com saxofone e metais". No mesmo ano chegou "Prehistoric Sounds", momento em que os conflitos internos explodiram. O vocalista Chris Bailey seguiu com o nome Saints em diferentes formações até sua morte, em 2022.
A fase clássica - 1977 a 1978 - permanece como o período mais reverenciado. Barcinski sintetiza bem:
"A formação clássica só durou três LPs, mas são três discos fundamentais. Não é uma banda tão conhecida, mas é uma das mais importantes do punk."
Com Bailey falecido, Kuepper e Hay reassumiram a herança do grupo e idealizaram a nova turnê. Barcinski, que analisou vídeos recentes feitos por fãs, destaca o impacto das apresentações:
"É muito legal ver o Mark Arm cantando essas músicas do Saints. Deve ser um show fantástico."
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