Quando Mick Jagger se rebelou contra o rock "antiquado e diluído" dos anos 50
Por Bruce William
Postado em 21 de novembro de 2025
Quando os Rolling Stones começaram a aparecer na cena britânica, no início dos anos 1960, a Inglaterra já estava cheia de bandas tentando surfar na onda do rock and roll. Mick Jagger, porém, cresceu olhando para aquele cenário com uma mistura de tédio e impaciência. Para ele, boa parte do que se tocava nos subúrbios ingleses soava parado no tempo, repetindo fórmulas que já não diziam muita coisa.
Em uma entrevista concedida à Vanity Fair em 1992, Jagger voltou à adolescência em Dartford e falou justamente desse incômodo com a vida suburbana e com a música que saía dali. Ele resumiu assim: "Meu grande problema com a vida suburbana era que ela era, antes de tudo, mesquinha e, em segundo lugar, indireta, entediante, baseada em valores de consumo, no máximo sem ambição, e cheio de intrigas, invejas e coisas assim".
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A crítica não mirava só o ambiente social, mas também o tipo de som que brotava daquele contexto. Jagger contou que, desde cedo, tentou se afastar dessa lógica de apenas refletir o entorno imediato. "Eu estava tentando procurar uma música que não fosse um reflexo daquela sociedade", explicou. Segundo ele, o rock and roll que dominava a classe trabalhadora inglesa era ligado à cena dos teddy boys e soava "incrivelmente derivativo de uma música que já não era muito interessante para começar - o rock dos anos 1950".
Na mesma entrevista, ele foi ainda mais direto ao falar sobre essas bandas que observava na juventude. Jagger descreveu aquele estilo como "um tipo antiquado, diluído" e disse que os grupos eram "cheios de pessoas medíocres e entediantes". Ao mesmo tempo, reconheceu que havia um componente de preconceito nessa postura: "Simplesmente não era certo, e então pessoas como eu, e pessoas que foram para escolas de arte e coisas assim, se achavam um degrau acima disso. Era só esnobismo, se você quiser".
Quando os Rolling Stones se firmaram, o caminho escolhido passou por outras referências: blues norte-americano, R&B, soul, músicas que, para eles, traziam mais intensidade e menos cara de vida suburbana sem saída. O contraste com o rock "antiquado e diluído" que Jagger descreveu ajuda a entender por que a banda buscou um som mais sujo, mais centrado em riffs e em clima de bar lotado, em vez de seguir a trilha das bandas que ele via como apenas repetindo o rock dos anos 1950 sem acrescentar muita coisa.
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