As duas maiores performances de John Bonham no Led Zeppelin, segundo Robert Plant
Por Gustavo Maiato
Postado em 25 de janeiro de 2026
Em artigo publicado pela Far Out, o jornalista Dale Maplethorpe revisitou uma associação recorrente na história do rock: a ligação simbólica entre o gênero e o imaginário do oculto. Dentro desse contexto, o Led Zeppelin sempre ocupou um lugar peculiar.
Diferentemente de grupos que exploraram abertamente imagens satanistas - como o AC/DC em "Highway to Hell" ou performances teatrais de Alice Cooper - o Led Zeppelin jamais construiu sua identidade a partir desse tipo de estética. Pelo contrário: muitas de suas canções flertavam com temas espirituais, transcendência e até esperança, como em "Stairway to Heaven", frequentemente interpretada de forma equivocada como obscura.
Ainda assim, a aura quase sobrenatural que cercava o talento da banda levou parte do público a associá-los ao "outro mundo". Maplethorpe lembra uma fala bem-humorada de Jack Black, feita durante um discurso sobre a grandeza musical do grupo: "Dizem que o Led Zeppelin vendeu a alma ao diabo. Vamos lá, pessoal, vocês sabem que venderam! Não há outra forma de explicar um talento tão absurdo."
Embora dita em tom de piada, a declaração reflete uma percepção comum à época: a música do Led Zeppelin parecia tão poderosa que muitos custavam a acreditar que fosse fruto apenas de esforço humano, criatividade e circunstâncias favoráveis.
Maplethorpe ressalta, no entanto, que a formação da banda foi menos mística e mais circunstancial. Jimmy Page idealizou o grupo após sua passagem pelo The Yardbirds e anos como músico de estúdio. A partir daí, os integrantes surgiram quase por acaso: John Paul Jones já conhecia Page, enquanto Robert Plant e John Bonham vieram de Birmingham, apresentados quando a cena londrina estava saturada.
Segundo o texto, o verdadeiro diferencial do Led Zeppelin não estava apenas na intensidade, mas no equilíbrio. Cada integrante tinha capacidade técnica para dominar completamente o espaço sonoro, mas sabia quando recuar. Esse senso coletivo foi essencial - especialmente no caso de Bonham.
Ao falar sobre as maiores performances do baterista, Robert Plant destacou duas faixas específicas em que Bonham demonstrou leitura perfeita da música e compreensão absoluta de seu papel dentro do conjunto:

"'Kashmir', por exemplo, ou 'The Song Remains the Same'. É o baterista que faz a música funcionar. Porque o Bonzo não começou a se debater como um polvo enlouquecido, como muitos faziam naquela época. Acho que ele e o Page eram muito próximos nos riffs e, principalmente, no que ele escolhia não tocar."
Para Plant, o gênio de Bonham estava justamente nessa contenção consciente - em tocar menos para dizer mais. Uma abordagem que ajudou a definir não apenas essas canções, mas o próprio som do Led Zeppelin como uma das forças mais influentes da história do rock.
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