O gênero musical que Phil Collins nunca suportou ouvir, segundo o próprio
Por Gustavo Maiato
Postado em 07 de fevereiro de 2026
Mesmo sendo responsável por algumas das trilhas sonoras mais marcantes das últimas décadas, Phil Collins sempre dividiu opiniões - especialmente por suas baladas mais sentimentais, frequentemente acusadas de exagerar no açúcar. Mas, como observa o jornalista Tim Coffman, essa sensibilidade não surgiu do nada: ela tem raízes diretas na formação musical de Collins.
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Em artigo publicado pela Far Out, Coffman contextualiza que Collins não teve a mesma iniciação musical que boa parte das grandes estrelas do rock dos anos 1960 e 1970. Quando o Genesis começou a ganhar forma, a explosão inicial do rock já tinha passado, e a banda se desenvolveu observando o que grupos como The Beatles e The Rolling Stones estavam fazendo - só que com estruturas mais complexas e mudanças de tempo mais frequentes.
Ainda segundo Coffman, apesar de muitos músicos daquela geração beberem diretamente do blues, Collins sempre se sentiu mais próximo do jazz. Seu ouvido foi moldado por bateristas como Buddy Rich, além de experiências com fusão e jazz-rock em projetos como o Brand X e referências como Weather Report. Havia também espaço para soul e Motown, elementos que ajudaram a definir sua identidade musical.
Esse percurso, porém, passou longe de um dos pilares do rock mais primitivo. Coffman destaca que Collins nunca escondeu seu distanciamento do rock and roll dos anos 1950, especialmente daquele associado a nomes como Bill Haley. O próprio músico foi direto ao falar sobre isso em entrevistas ao longo dos anos.
"Meu irmão era oito ou nove anos mais velho e vivia ouvindo a Radio Luxembourg, que tocava Bill Haley, Eddie Cochran, esse tipo de coisa, o que não me interessava nem um pouco", relembrou Collins. Em seguida, veio a frase definitiva: "Eu nunca gostei dessa música". Segundo ele, quando começou a tocar com mais seriedade, sua atenção já estava voltada para outra cena: "A batida inglesa estava acontecendo, o The Shadows e bandas desse tipo".
Para Coffman, essa confissão ajuda a explicar por que Collins nunca se encaixou totalmente no arquétipo clássico do roqueiro moldado pelo rock dos anos 1950. Embora reconheça o impacto histórico daquele período, o músico sentia que havia "perdido o bonde" daquela era e não desenvolveu a mesma linguagem que tantos de seus contemporâneos absorveram quase por osmose.
O jornalista aponta que isso pode até ter pesado em algumas colaborações mais espinhosas, como quando Collins dividiu palco com membros do Led Zeppelin. Enquanto guitarristas como Eric Clapton transitavam com naturalidade pelo blues e pelo rock tradicional, a ausência dessa base específica tornava algumas interações menos orgânicas.
Ainda assim, Coffman faz questão de frisar que isso jamais diminuiu o talento de Phil Collins. Pelo contrário: ao ignorar deliberadamente uma parte do "manual obrigatório" do rock, ele acabou criando uma linguagem própria, mais ligada ao soul, ao pop e à sofisticação rítmica. "Ele falava a língua do pop", sugere o jornalista - e, nesse contexto, pouco importava não ter todos os gigantes do rock clássico na estante.
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