Steve Morse diz que nunca fez um show perfeito, e cita um guitarrista amigo que é capaz disso
Por Bruce William
Postado em 12 de abril de 2026
Steve Morse já gravou, excursionou e construiu uma carreira que o coloca entre os guitarristas mais respeitados do rock. Mesmo assim, não se colocou num pedestal ao falar sobre desempenho ao vivo. Em entrevista recente a Jordi Pinyol, o ex-Deep Purple disse que nunca saiu de um show com a sensação de ter tocado tudo perfeitamente. Mais do que isso: afirmou que, na prática, só conhece um guitarrista capaz de fazer esse tipo de coisa sem deixar brecha.
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"Aprender perfeitamente e tocar perfeitamente são duas coisas diferentes. Eu consigo fazer a primeira, não consigo fazer a segunda. Só o John Petrucci consegue fazer isso. Não, essas coisas são difíceis mesmo. E eu nunca fiz um show em que eu dissesse: 'Toquei tudo perfeitamente.' É teoricamente possível, mas ainda não aconteceu."
A fala chama atenção justamente por vir de alguém do calibre de Morse. Não é um guitarrista iniciante se diminuindo por modéstia calculada. É um sujeito experiente, com décadas de estrada, dizendo com todas as letras que palco é outra conversa. Na sequência, ele explicou que tenta compor material confortável para as próprias mãos justamente para reduzir a chance de erro. Mesmo quando escreve algo difícil, prefere que a dificuldade venha de um terreno que ele conhece bem, e não de uma luta contra a própria memória muscular.
"Essa é uma das razões pelas quais eu componho coisas que são confortáveis para eu tocar, e mesmo que eu componha algo difícil, eu sei o que é. Não preciso lutar para lembrar. Às vezes, minha mente dá um branco por um segundo, e eu acerto a nota errada quando começo uma seção ou algo assim, ou começo com o dedo errado."
A sinceridade fica ainda melhor quando ele descreve esses pequenos apagões do jeito mais humano possível, em um tipo de comentário que desmonta um pouco aquela fantasia de perfeição cirúrgica que muita gente projeta sobre músicos veteranos. Ou seja: nada de pose de virtuose inalcançável. Morse conta que, às vezes, percebe na hora que algo saiu torto e precisa se corrigir no meio do caminho. "Eu digo: 'Uau! Isso não parece certo. Errei as notas. O que está acontecendo? Ah, sim, isso deveria ter sido na sexta posição.' Coisas assim acontecem."
A entrevista também girou em torno de "Triangulation", seu décimo segundo álbum solo, lançado em 2025, dezesseis anos depois do anterior. Morse contou que esse intervalo enorme pesou na decisão de fazer algo especial, até porque a idade começou a entrar na conta de forma mais concreta. Foi nesse espírito que ele chamou dois velhos conhecidos para participar do disco: Eric Johnson e John Petrucci.
Ao falar de Eric Johnson, Morse contou que quase mudou os planos no meio do processo por achar que a música inicial não combinava com o convidado. Preferiu então escrever outra, mais melódica, pensada especificamente para ele. O resultado foi "TexUS". "Sabe de uma coisa? Isso é um pouco estranho demais, prog rock. Quero fazer algo no estilo do Eric, um pouco mais melódico." E com Petrucci, o tom foi ainda mais reverente. Morse disse que precisava de ajuda e que ninguém tocava aquele material melhor do que o guitarrista do Dream Theater. "Você se tornou o melhor de todos, cara. Não sei como você faz isso, mas seria uma honra se você tocasse nela."
A fala toda diz bastante não só sobre Petrucci, mas sobre o próprio Steve Morse. Em vez de bancar o veterano infalível, ele preferiu falar como músico de verdade: alguém que ainda se observa, ainda reconhece limites e ainda sabe admirar outro instrumentista sem transformar isso numa disputa de ego. Num meio em que muita gente adora parecer sobre-humana, ouvir um guitarrista desse porte dizer que palco nunca é totalmente perfeito chega a soar refrescante.
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