Por que é errado achar que Renato Russo era supergenial, segundo Dado Villa-Lobos
Por Gustavo Maiato
Postado em 29 de maio de 2026
Dado Villa-Lobos afirmou que um dos maiores equívocos sobre Renato Russo é tratá-lo como uma figura quase inalcançável, sempre genial, cerebral e produtiva. Em entrevista ao Estadão, o guitarrista disse que o vocalista da Legião Urbana tinha esses traços, mas também era uma pessoa simples, de convivência comum, distante da imagem mitificada que se formou após sua morte.
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"Talvez achar que ele fosse um cara supercabeça, supergenial e superproativo, no sentido de que lia muito, escrevia muito, tocava muito", disse Dado. "Ele era um pouco disso tudo, mas não era esse cara todo." O músico lembrou que Renato também era alguém com quem se comia cachorro-quente no fim de semana e jogava Master, jogo de perguntas e respostas popular nos anos 1980.
Para Dado, um dos grandes atributos de Renato foi acreditar nas pessoas que estavam ao redor dele. O cantor era mais velho que parte do grupo e ajudou a transformar em realidade o projeto de uma banda de rock. "É quando você é adolescente e monta esse sonho de uma banda de rock", afirmou o guitarrista. A ideia, segundo ele, era fazer música para chegar às pessoas e transformá-las de alguma forma.
O comentário aparece no ano em que se completam 30 anos da morte de Renato Russo. Dado evitou reforçar uma imagem santificada do cantor e preferiu descrevê-lo como alguém talentoso, mas também cotidiano. A visão ajuda a recolocar Renato em escala humana, sem apagar a importância de sua obra nem reduzir a Legião Urbana a uma criação individual.
O guitarrista também disse que parte da força da banda está na permanência de suas canções. Ele citou "Que País É Este", composta em 1978, como exemplo de música que continua atual por um motivo ruim. "Essa mesma música vai falar: começa nas favelas, no Senado, sujeira para todo lado. Ninguém respeita a Constituição e todos acreditam no futuro da nação", afirmou. Para Dado, a permanência desse retrato mostra que muita coisa "está igualzinha, senão pior".
Confira a entrevista completa abaixo.
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