A opinião de Regis Tadeu sobre o álbum "O Concreto Já Rachou" da Plebe Rude
Por Gustavo Maiato
Postado em 26 de maio de 2026
Regis Tadeu revisitou em vídeo o álbum "O Concreto Já Rachou", do Plebe Rude, e tratou o trabalho como um clássico do pop rock brasileiro. O crítico disse que o disco, lançado em 1986, não pode ser visto como "um disquinho qualquer", mas como uma obra central para entender a força política do rock nacional dos anos 80.
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Logo no início, Regis rebate a ideia de que aquela década tenha sido feita apenas de bandas leves, músicas dançantes e baladas românticas. Para ele, o Plebe Rude mostrou outra face do período. "Caso você pense que o rock brasileiro ali dos anos 80 se resumiu a dancinhas de bandas de synth pop ou baladinhas românticas xexelentas feitas para tocar nas rádios, você está solenemente equivocado", afirmou.
O disco marcou a estreia do grupo de Brasília, formado por Felipe Seabra, André X, Gutje e Jander Bilaphra. A produção ficou a cargo de Herbert Vianna, dos Paralamas do Sucesso, apontado por Regis como peça importante para dar peso e clareza ao som da banda.
Segundo o crítico, o Plebe Rude apareceu em um momento em que o rock nacional crescia nas gravadoras e nas rádios. Mas, em vez de seguir o caminho mais palatável, a banda trouxe um som "árido, cinzento, pesado" e influenciado pelo pós-punk britânico, com referências a Gang of Four e The Clash.
Para Regis, o próprio título O Concreto Já Rachou já carregava uma crítica direta. O nome mirava a arquitetura fria e imponente de Brasília, mas também servia como metáfora para um regime político que ainda deixava marcas no País. O álbum, lançado no começo da Nova República, expunha a frustração de uma geração que percebeu que a redemocratização não resolveria tudo "num passe de mágica".
O crítico também chama atenção para um paradoxo. O disco era curto, direto e tinha apenas sete faixas. Mesmo assim, quase todas tocaram muito nas rádios. E isso aconteceu apesar do som pesado, das guitarras em primeiro plano e das letras politizadas.
"Como é que um disco pesado pros padrões da época aqui no Brasil, com as guitarras na frente, sem tecladinho alegrinho, vagabundo da moda, e com umas letras absurdamente politizadas para aqueles tempos, conseguiu tocar exaustivamente nas rádios FM da época?", questionou Regis.
A resposta, para ele, envolve jabá das gravadoras, mas não só isso. O álbum também tinha competência melódica e urgência artística. Poucos discos, segundo o crítico, captaram com tanta precisão o inconformismo de uma juventude inteira.
A faixa "Até Quando Esperar" é tratada como o grande símbolo do disco. Regis afirma que a música virou uma espécie de "hino nacional alternativo" e tinha uma crueza rara para a época. A letra expunha a desigualdade social e a passividade do povo, mas sem perder força de comunicação.
Na sequência, ele cita músicas como "Proteção", "Johnny Vai à Guerra", "Minha Renda", "Sexo e Karatê", "Seu Jogo" e "Brasília". Para Regis, ouvir o álbum hoje mostra que ele "não envelheceu absolutamente nada".
Um dos méritos, segundo o crítico, está na produção de Herbert Vianna. Regis lembra que muitas bandas punk da época tinham fúria até maior, mas não contavam com estúdio de ponta nem com uma produção capaz de equilibrar peso e clareza. Em O Concreto Já Rachou, era possível ouvir bem a bateria, o baixo, a guitarra e, principalmente, cada palavra das letras.
Regis define as canções do álbum como "mini editoriais políticos transformados em música de impacto". Para ele, o Plebe Rude falava de um País deformado pela corrupção, pela desigualdade, pela hipocrisia institucional e pela herança autoritária.
O crítico afirma que a obra continua atual porque não dependeu de modismos sonoros. Ao contrário de muitos discos dos anos 80 marcados por excesso de reverb e produção datada, O Concreto Já Rachou ainda soa orgânico. É, segundo ele, o registro de uma banda tocando "com sangue nos olhos".
Confira o vídeo completo abaixo.
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