O músico que voltou do fundo do poço para salvar o Red Hot Chili Peppers
Por Bruce William
Postado em 18 de junho de 2026
Quando "Californication" chegou às lojas em 1999, havia uma história maior do que a volta de uma banda ao topo das paradas. O Red Hot Chili Peppers vinha de uma fase instável, havia gravado "One Hot Minute" com Dave Navarro e parecia distante da química que marcara "Blood Sugar Sex Magik." A peça que faltava era justamente a mais improvável: John Frusciante.
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Frusciante tinha entrado no grupo ainda adolescente, depois da morte de Hillel Slovak. Era fã antes de ser integrante, conhecia as músicas, entendia a linguagem da banda e rapidamente se tornou parte essencial do som. O sucesso, porém, chegou rápido demais. Com "Blood Sugar Sex Magik", o Red Hot deixou de ser uma banda de culto em Los Angeles e virou atração mundial.
O guitarrista não lidou bem com essa mudança. Em 1992, durante uma turnê no Japão, saiu do grupo e mergulhou num período de isolamento e dependência química. Os anos seguintes foram marcados por aparições desconcertantes, gravações caseiras, discos solo difíceis e uma deterioração física que assustava até quem acompanhava o rock de perto.
Na entrevista dada à VPRO em 1994, Frusciante já aparecia muito distante do músico que havia encantado fãs poucos anos antes. A imagem daquela fase virou uma espécie de registro sombrio de alguém que parecia se afastar não apenas da carreira, mas da própria vida cotidiana.
Flea continuava preocupado com o antigo companheiro e, com o tempo, a possibilidade de retorno começou a deixar de ser fantasia. Frusciante passou por tratamento, largou as drogas mais pesadas e reapareceu disposto a tocar. Quando voltou aos ensaios com Anthony Kiedis, Flea e Chad Smith, a banda descobriu que ainda havia algo ali que nenhum substituto tinha conseguido reproduzir.
A mudança apareceu em "Californication." Em vez de tentar repetir a agressividade funk do começo dos anos 1990, o álbum trouxe mais espaço, melodia e melancolia. A guitarra de Frusciante soava menos interessada em preencher tudo e mais preocupada em encontrar a nota certa. "Scar Tissue", "Otherside", "Californication" e "Road Trippin'" mostravam um Red Hot mais contido, mas também mais emocional.
Pouco depois do lançamento, Frusciante resumiu a situação com humor seco. "Todo mundo achava que eu estava morto", disse à Rock Sound, em fala replicada na Far Out. "Mas, como vocês podem ver, estou bem vivo."
A frase funcionava em dois níveis. Ele havia sobrevivido literalmente a uma fase devastadora, mas também retornava artisticamente a uma banda que parecia sem direção clara. "Californication" não apenas recolocou o Red Hot Chili Peppers no centro do rock de arena: transformou a volta de Frusciante numa das raras histórias em que reunião, recuperação e renascimento musical aconteceram ao mesmo tempo.
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