O maior álbum do Queen para Chad Smith; "Eu sempre aumento o volume"
Por Bruce William
Postado em 20 de junho de 2026
Chad Smith ficou famoso como o baterista explosivo do Red Hot Chili Peppers, mas sua formação como fã passa por lugares bem diferentes do funk rock californiano. Antes dos palcos gigantes, das jams com Flea e da eterna confusão visual com Will Ferrell, havia um garoto ouvindo discos de rock com atenção quase física. Um desses discos ficou acima de todos.
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Para Smith, o grande álbum do Queen não é "A Night at the Opera", apesar de "Bohemian Rhapsody", nem "News of the World", com seus hinos de estádio. Também não é "Sheer Heart Attack", "Jazz" ou "A Day at the Races". O disco que ele colocou no topo foi "Queen II", lançado em 1974, quando a banda ainda estava expandindo sua identidade sem se preocupar demais com síntese ou facilidade.
A escolha faz sentido para um baterista que sempre tocou com muita força. "Queen II" é um dos trabalhos mais pesados, teatrais e estranhos do Queen. O álbum começa com a instrumental "Procession", passa pela grandiosidade de "Father to Son" e termina com "Seven Seas of Rhye", já apontando para o lado mais épico que faria parte da assinatura do grupo.
O vinil original dividia o repertório entre "Side White" e "Side Black". O lado branco tinha forte presença de Brian May, enquanto o lado preto mergulhava nas fantasias de Freddie Mercury, com faixas como "Ogre Battle" e "The Fairy Feller's Master-Stroke". Era um Queen ainda sem fórmula pronta, disposto a empilhar guitarras, vozes, drama, peso e fantasia medieval na mesma panela.
Em entrevista à Music Radar, Smith disse que Queen II era seu álbum favorito e explicou como gostava de ouvi-lo. "Eu sempre aumento o volume, e esse é um bom truque. Você aumenta pra caramba, então, quando 'Father to Son' entra, é nesse volume que eles querem que você ouça."
O comentário é quase uma instrução de uso. "Queen II" não foi feito para funcionar como música de fundo. O disco depende do impacto das camadas, das viradas, dos coros e da sensação de que a banda está tentando soar maior do que o próprio estúdio. Smith também destacou a unidade do álbum: "O segundo soa mais coeso como banda. Eles tinham um som!"
Outro detalhe que o encantava era a inscrição "no synthesisers", usada pelo Queen para deixar claro que aqueles efeitos vinham de guitarras, vozes e trabalho de estúdio, não de atalhos eletrônicos. Para Smith, isso era parte da magia. Ele ainda citou "Ogre Battle" com entusiasmo quase infantil, imitando o ataque da música como "danga-danga, waaaaah".
A admiração de Smith encontra eco no próprio Brian May, relembra a Far Out. Ao falar da fase de "Queen II", o guitarrista já descreveu o disco como um salto decisivo, o momento em que a banda começou a fazer música do jeito que realmente queria. Roger Taylor também lembraria o esforço de multitracking e os enormes efeitos vocais criados por apenas três vozes.
Talvez seja por isso que "Queen II" continue soando tão particular dentro da discografia. O Queen faria discos mais famosos, venderia muito mais e encontraria hinos universais. Mas, para Chad Smith, nada superou aquele momento em que a banda parecia descobrir seu próprio tamanho no susto, com o volume aberto e sem pedir licença.
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