O cantor que Bruce Springsteen disse escrever as mais belas canções de amor do rock
Por Bruce William
Postado em 02 de abril de 2026
Bruce Springsteen sempre soube escrever sobre desejo, fuga, estrada, esperança e relações humanas sem transformar tudo em clichê. Por isso chama atenção quando ele para para elogiar alguém que, aos seus olhos, atingiu um nível especial nesse terreno. E foi exatamente isso que fez ao falar de Tom Petty, apontando o colega como um compositor que tratava o amor de um jeito pouco comum dentro do rock.
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E o que marcava Bruce não era simplesmente a coisa de fazer música romântica. Havia muitos artistas falando de paixão, sexo ou coração partido. O que o impressionava em Petty era outra coisa: a forma como ele escrevia sobre mulheres com personalidade, presença e vida própria. Em vez de usá-las só como objeto de desejo ou peça decorativa da narrativa, ele lhes dava corpo, voz e papel central dentro das canções.
Ao comentar isso, Springsteen disse, em fala resgatada pela Far Out: "Era isso que havia de único no que ele fazia. Era um caminho incomum, e essas foram algumas de suas canções mais bonitas. 'Here Comes My Girl' era uma das minhas favoritas de todos os tempos. Claro, 'American Girl', mas também 'Free Fallin'' é uma música com uma garota como protagonista. Ele fez algo único nisso."
A explicação de Bruce deixa claro por qual motivo Tom Petty sempre pareceu um compositor diferente, mesmo quando trabalhava com elementos muito tradicionais do rock americano. Ele não precisava transformar toda música em declaração grandiosa de amor nem em fantasia de macho conquistador. Bastava construir uma figura humana convincente. Em "American Girl", "Here Comes My Girl" ou "Free Fallin'", existe sempre alguém ali que parece respirar fora da canção.
Talvez por este mesmo motivo essas músicas envelheceram tão bem, pois elas não dependem apenas de refrão forte ou de uma boa melodia, embora tenham ambos; elas dependem do modo como Petty observava seus personagens. Havia afeto, havia dor, havia encantamento, mas quase nunca havia algo como uma espécie de caricatura. E isso, num universo como o do rock, já fazia muita diferença.
Bruce, ao que parece, reconheceu em Petty uma qualidade que ele mesmo sempre valorizou: a capacidade de fazer canções populares sem esvaziar a humanidade de quem aparece nelas, o que não é pouco. Num gênero em que tanta gente preferiu escrever sobre mulheres de modo raso ou previsível, Tom Petty encontrou outra saída. E foi justamente isso que levou Bruce Springsteen a alçá-lo a um patamar tão elevado.
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