O artista que fez as melhores músicas tristes de todos os tempos, segundo Bob Dylan
Por Gustavo Maiato
Postado em 17 de agosto de 2026
Bob Dylan raramente demonstra modéstia quando o assunto é o próprio trabalho - e nem precisa. Mas existe um território que ele reconhece pertencer a outro compositor: as músicas tristes. Em entrevista concedida ao Los Angeles Times (via Far Out) em 1992, ao rebater a ideia de que o mundo da música estaria cheio de imitadores seus, o folk singer entregou de graça uma das declarações mais reveladoras sobre suas próprias referências.

"Não havia ninguém fazendo a minha coisa - embora eu não esteja dizendo que era tão boa assim", disse Dylan. "Era só minha, e ninguém ia cobrir aquele território. Ninguém enquadra a linguagem com o mesmo senso de rima." Foi então que veio a comparação que interessa: "É a minha coisa, assim como ninguém escreve uma música triste como Hank Williams."
Ben Forrest, da Far Out Magazine, autor do texto que resgata a declaração, observa que a escolha não surpreende. Williams é referência recorrente na trajetória de Dylan, citado ao lado de Woody Guthrie entre os pilares de sua formação. O ícone do country dedicou boa parte da discografia ao tema do desamor, chegando a clássicos como "I'm So Lonesome I Could Cry", de 1949 - canção que segue funcionando como padrão-ouro do gênero.
O argumento de Forrest é que, no caso de Williams, a força não vem da complexidade, mas do oposto. Simplicidade e timbre de voz fazem a diferença. Dylan escreveu inúmeras faixas melancólicas ao longo da carreira - o jornalista destaca "It's Alright, Ma (I'm Only Bleeding)" como um dos exemplos mais comoventes e desafiadores de sua fase áurea. Mas há uma diferença de natureza entre a melancolia intelectualizada de Dylan e a dor direta de Williams.
Hank Williams é frequentemente citado como o maior nome da história do country, quando não o definitivo. Forrest argumenta, porém, que seu alcance ultrapassa qualquer fronteira de gênero: mesmo quem nunca colocou um chapéu de cowboy nem pisou no Grand Ole Opry encontra algo universal naquelas canções sobre coração partido. Williams morreu em 1953, aos 29 anos.
Seria redutor resumir a carreira inteira de Williams à capacidade de escrever músicas tristes. Mas, como conclui o texto, existem pouquíssimos artistas qualificados a disputar esse título com ele - e Dylan, que talvez estivesse entre os poucos, jamais sonharia em competir com um de seus heróis definitivos.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A reação de Dirk Verbeuren ao anúncio do fim do Megadeth
Shows que vão agitar São Paulo no segundo semestre de 2026.
James Hetfield revela sua maior influência como guitarrista de metal: "É o mestre dos riffs"
Pearl Jam sobe ao palco pela primeira vez com Abe Laboriel Jr. na bateria
A única banda de metal que nem o Metallica conseguiu superar, conforme Regis Tadeu
A maior e melhor banda de metal de todos os tempos, segundo Jerry Cantrell
A canção polêmica que o Guns N' Roses tocou só duas vezes e abandonou; "Ninguém entendeu"
O grande clássico do Metallica em que Kirk Hammett não tocou uma única nota
Com ex-membros do Primal Fear e Gamma Ray, Fearless V anuncia primeiro álbum
A superbanda com integrante dos Rolling Stones que Jimmy Page nunca esqueceu
De Black Sabbath a Elis Regina, os 10 discos que mudaram a vida de Kiko Loureiro
A canção dos anos sessenta que fez Iggy Pop se livrar do blues e virar um "monstro"
Como John Petrucci tenta manter a rotina de treinos durante as turnês do Dream Theater
O que significa o termo "Big Four do thrash metal"?
"Odiei"; quando Carole King confrontou Eric Burdon sobre cover feito pelo Animals
O compositor com "duas das melhores músicas do mundo", segundo Bob Dylan
Cinco fantásticos álbuns ao vivo que não nasceram para ser álbuns ao vivo
10 rockstars que já estão na casa dos 80 anos de idade e seguem na estrada
O cantor que Bob Dylan conhecia melhor do que a si mesmo e que ainda saiu em sua defesa
A relação entre Gene Simmons e um ídolo que começou com uma condenação ao inferno
O hit de 1965 de Bob Dylan que é tão bom que impressionou até o próprio compositor
Roger Waters explica porque separa John Lennon e Bob Dylan de um lado e Phil Collins do outro
A composição própria que John Lennon comparou a "Like a Rolling Stone"
Os 10 melhores discos do rock dos anos 60, segundo o RYM
Rock: alguns dos discos mais raros (e caros) do mundo


