O guitarrista lendário que Eddie Van Halen sentia que o esnobava
Por Bruce William
Postado em 29 de junho de 2026
Eddie Van Halen parecia o tipo de músico difícil de ignorar e ainda mais difícil de odiar. Quando surgiu com o Van Halen no fim dos anos 1970, ele não apareceu apenas como mais um guitarrista rápido. Trouxe um jeito de tocar que parecia alegre, explosivo, quase absurdo, como se a guitarra tivesse descoberto um brinquedo novo e não quisesse mais devolver.
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Mas esse tipo de impacto também cria anticorpos. Para outros guitarristas que já estavam estabelecidos, ver aquele garoto chegando com "Eruption", tapping, sorriso no rosto e uma banda cheia de energia podia não ser exatamente confortável. Eddie parecia humilde em entrevistas, mas no palco era uma ameaça. Não no sentido pessoal; no sentido profissional mesmo. Ele fazia muita gente parecer velha de uma hora para outra.
Eddie lembrou que, nos primeiros anos do Van Halen, sentiu certa frieza de nomes importantes da guitarra. Um deles era Joe Perry, do Aerosmith, que já havia vivido o auge dos "Bad Boys From Boston" quando o Van Halen começou a estourar. Para Eddie, a recepção não foi exatamente calorosa, relembra a Far Out: "Uma coisa que me incomodou muito no começo, em 1978, na nossa primeira turnê, foi como pessoas como Joe Perry e outros guitarristas me desprezavam com os olhos. Não diziam oi. Não eram legais. Nada. Eu não sou assim."
A expressão usada por Eddie passa bem a sensação de gelo. Não era uma briga aberta, nem uma declaração pública. Era aquele tipo de hostilidade silenciosa de bastidor: o olhar que mede, evita, corta e deixa claro que o recém-chegado não será recebido com tapete vermelho. E no caso de Perry, a comparação também tinha um componente estilístico. O guitarrista do Aerosmith vinha de uma escola mais ligada ao blues, ao riff, ao groove e à tradição dos grandes guitarristas de rock americano. Eddie era outra coisa. Mais veloz, mais acrobático, mais colorido, menos preso à ideia clássica de solo. Não era apenas uma diferença de técnica, mas de época.
O Van Halen também carregava uma energia que podia incomodar bandas mais antigas. David Lee Roth tinha uma presença de palco espalhafatosa, atlética e teatral, algo que em alguns momentos lembrava a linhagem de frontmen como Steven Tyler, mas empurrada para uma caricatura ainda mais exagerada. O grupo parecia uma festa ambulante, e Eddie era o motor musical daquela bagunça.
Isso não significa que Joe Perry fosse menor por não tocar como Eddie. Perry nunca construiu sua identidade em cima de malabarismo técnico. Seu valor estava em riffs, timbres, pegada e canções que ajudaram a fazer do Aerosmith uma das maiores bandas americanas dos anos 1970. Mas a chegada de Van Halen mudava a régua visual e sonora do guitarrista de arena.
Eddie, por sua vez, parecia incomodado não por falta de reverência, mas pela frieza. Ele não se via como alguém tentando humilhar outros músicos. O que fazia na guitarra vinha de uma mistura de curiosidade, disciplina e diversão. Quando encontrava resistência de colegas mais velhos, aquilo parecia ferir mais pelo lado humano do que pelo ego.
Com o tempo, essa barreira diminuiu. Joe Perry mais tarde reconheceria Eddie Van Halen como uma das melhores coisas que aconteceram à guitarra elétrica. A frase tardia coloca a história em perspectiva: o susto inicial deu lugar ao reconhecimento. Não era possível fingir para sempre que aquele som não havia mudado alguma coisa. A situação também mostra como o rock pode ser competitivo mesmo quando todos falam a língua da admiração. Guitarristas vivem de identidade. Quando surge alguém capaz de alterar o vocabulário do instrumento, a primeira reação nem sempre é aplauso. Às vezes é defesa, silêncio, olhar atravessado.
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