O músico que intimidou Jimmy Page; "Não conhecia ninguém que tocasse daquele jeito"
Por Bruce William
Postado em 27 de junho de 2026
Jimmy Page costuma aparecer na história dos Yardbirds como o terceiro grande guitarrista de uma linhagem absurda. Antes dele, a banda já tinha contado com Eric Clapton e Jeff Beck, dois nomes que, sozinhos, bastariam para deixar qualquer músico pensando duas vezes antes de aceitar o convite. Mas a parte curiosa é que Page não entrou imediatamente para ocupar esse tipo de posto lendário.
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Quando chegou aos Yardbirds, em 1966, Page assumiu primeiro o baixo, substituindo Paul Samwell-Smith. Só depois passaria para a guitarra, formando por um breve período uma dupla explosiva com Jeff Beck. Olhando de fora, seria fácil imaginar que o peso maior estivesse em entrar numa banda já marcada por Clapton e Beck. Para Page, porém, havia outro músico naquele catálogo que o deixava realmente impressionado.
Em entrevista à Guitar World, Page foi perguntado se ficou intimidado ao entrar nos Yardbirds depois de nomes como Clapton e Beck. A resposta desviou para o baixo. Ele admitiu que a reputação dos guitarristas pesava, mas destacou o desafio de substituir Samwell-Smith. "Não era tanto isso. Bem, sim, era. Mas quando entrei nos Yardbirds no baixo, no lugar de Paul Samwell-Smith, aquilo foi algo difícil de executar, porque eu ficava bastante maravilhado com a maneira como ele tocava baixo. Não conhecia ninguém que tocasse daquele jeito."
Antes de virar o arquiteto do Led Zeppelin, Page já era um músico de estúdio experiente, acostumado a observar arranjos, timbres e funções dentro de uma gravação. Para muita gente, os Yardbirds eram lembrados principalmente pelas guitarras. Ele, porém, ouvia também o motor escondido nas faixas, e citou especialmente a energia dos registros da fase com Eric Clapton, como "Five Live Yardbirds", para explicar o impacto de Samwell-Smith. "Você ouvia aqueles riffs pulsantes e muito rápidos e pensava: que diabos foi isso? A energia daqueles discos com Eric, como 'Five Live Yardbirds', você tem que prestar atenção no que Paul Samwell-Smith estava fazendo no baixo. E, de repente, eu estava tentando imitá-lo."
Samwell-Smith não era apenas um baixista eficiente. Nos Yardbirds, ele ajudava a empurrar a banda para a frente, criando linhas rápidas, nervosas e cheias de tensão. Em um grupo que trabalhava com blues, R&B e experimentação elétrica, o baixo não ficava só marcando território. Ele fazia parte do ataque.
Essa admiração de Page também ajuda a corrigir uma leitura simplificada sobre os Yardbirds. A banda não foi importante apenas por ter revelado três guitarristas monumentais. Havia ali uma química coletiva, com músicos capazes de transformar blues em algo mais inquieto, mais acelerado e mais agressivo. Samwell-Smith, depois produtor, foi peça importante nessa transição.
Para Page, entrar nesse lugar significava mais do que trocar instrumento por instrumento. Ele precisava reproduzir uma energia que já estava gravada no DNA da banda. E isso explica a sensação de respeito quase assustado que aparece em sua fala. Não era só aprender notas. Era entender a pulsação de um grupo que vinha mudando o rock britânico por dentro.
Com o tempo, Page deixaria o baixo, assumiria a guitarra e levaria parte daquela experiência para o Led Zeppelin. A lição dos Yardbirds estava ali: o blues podia ser esticado, endurecido, acelerado e transformado em algo novo. Mas, antes de comandar riffs que mudariam o rock pesado, ele teve de encarar um desafio menos óbvio: tentar acompanhar o baixo veloz e inventivo de Paul Samwell-Smith, que era o baixista que fazia os discos dos Yardbirds pulsarem como se a banda estivesse sempre a um passo de sair dos trilhos.
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