O álbum pesado de 1971 que Billy Corgan perseguiu a vida inteira
Por Bruce William
Postado em 25 de junho de 2026
Billy Corgan foi fisgado pela música, como tanta gente de sua geração, primeiro pelos Beatles. Mas a ligação mais profunda, aquela que muda o jeito de uma pessoa imaginar o próprio futuro, veio depois, quando ele encontrou o Black Sabbath. Para o líder do Smashing Pumpkins, a banda de Birmingham não era apenas pesada. Era uma espécie de mapa emocional, sonoro e até espiritual.
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A relação de Corgan com Tony Iommi acabou se tornando pessoal com o passar dos anos. Os dois vieram de cidades que não estavam exatamente no centro glamouroso da indústria musical. O Sabbath saiu de Birmingham; o Smashing Pumpkins, de Chicago. Em entrevista ao podcast Loudwire Nights (via Far Out ), Corgan aproximou essa origem de outras bandas: "Acho que o ponto em comum entre nós e bandas como Thin Lizzy, Judas Priest, Black Sabbath e até Queen, em certa medida, é a conexão. Porque as pessoas realmente vinham desse histórico de classe trabalhadora e faziam uma música muito aspiracional. E, em algum lugar disso, algum crítico simplesmente não gosta do jeito como elas andam ou das coisas sobre as quais estão cantando."
No caso do Black Sabbath, esse sentimento ganhou forma em riffs, timbres e uma atmosfera que parecia maior do que a simples definição de heavy metal. Corgan falou mais diretamente sobre esse impacto em conversa com a Laney Amps, citada pela Far Out. O ponto de partida foi "Master of Reality", álbum lançado em 1971. "Eu persegui esse som a vida inteira. Para mim, o Sabbath foi o projeto original. Eu nunca percebi que parte do que me atraía naquele som era o som da Laney."
A referência faz todo o sentido. "Master of Reality" é um dos discos fundamentais do Sabbath e uma das pedras básicas do metal moderno. O álbum trouxe faixas como "Sweet Leaf", "Children of the Grave" e "Into the Void", ampliando a sensação de peso que a banda já vinha construindo desde 1970. A guitarra de Iommi parecia mais baixa, grossa e ameaçadora, como se o riff tivesse deixado de ser apenas uma parte da música e virado o próprio chão da canção.
"Sweet Leaf", em especial, virou um dos grandes retratos desse Sabbath. A música abre com a tosse de Iommi e avança num riff arrastado, quente e hipnótico, com Ozzy Osbourne cantando uma letra de devoção à maconha. Mesmo assim, para Corgan, a importância do grupo não se resume ao tema das letras, ao volume ou à mitologia sombria. Havia algo no som que atingia uma região mais funda.
No mesmo podcast, Corgan disse que o Sabbath fazia música para ele antes mesmo que ele soubesse explicar o que aquilo significava. Também admitiu que ainda hoje não consegue articular completamente o impacto da banda em sua vida. "Há algo sobre o Sabbath que me faz pensar nas estrelas e na lua, e em como existe um universo grande e louco lá fora, e nós estamos meio que navegando neste pequeno planeta."
Essa percepção ajuda a entender por que a influência do Sabbath no Smashing Pumpkins nunca foi apenas uma questão de peso. Corgan absorveu o impacto dos riffs, claro, mas também a ideia de que uma música pesada podia sugerir mistério, grandeza e deslocamento. Em seus melhores momentos, o Pumpkins também juntou guitarras enormes a uma sensação de sonho quebrado, como se o rock alternativo dos anos 1990 ainda carregasse ecos daquele espanto antigo.
O Sabbath mostrou a Corgan que uma banda podia nascer longe dos centros elegantes da cultura pop e ainda assim criar um universo próprio. Não era preciso soar bonito no sentido convencional. Era possível soar estranho, denso, ameaçador e, ao mesmo tempo, profundamente humano. Para um garoto que procurava algo além do pop luminoso dos Beatles, aquilo abriu outra porta.
Décadas depois, Corgan ainda fala desse som como alguém que não terminou de decifrá-lo. Talvez seja essa a força de "Master of Reality": ele não apenas ensinou uma geração a tocar mais pesado, mas ensinou que o peso podia ter dimensão cósmica. Billy Corgan ouviu aquilo cedo demais para separar técnica, timbre e emoção. E talvez por isso tenha passado a vida tentando chegar de novo ao mesmo arrepio.
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