A separação de banda que deixou Jimmy Page arrasado; "Ficamos tristes quando eles terminaram"
Por Bruce William
Postado em 22 de junho de 2026
Jimmy Page sabe muito bem o que é conviver com fãs que nunca aceitaram completamente o fim de uma banda. Desde 1980, quando o Led Zeppelin encerrou suas atividades após a morte de John Bonham, qualquer aparição conjunta entre Page, Robert Plant e John Paul Jones passou a ser tratada como possibilidade de ressurreição. A banda parou, mas o desejo do público nunca parou junto.
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Só que Page também esteve do outro lado dessa história. Antes de virar um dos guitarristas mais importantes do rock pesado, ele foi um jovem músico britânico acompanhando a explosão dos anos 1960 em tempo real. Tocava em estúdio, observava tudo, cruzava caminhos com artistas que estavam mudando a música popular e absorvia cada novidade como alguém que ainda estava formando seu próprio vocabulário.
Nesse cenário, os Beatles tinham um peso inevitável. Não eram apenas a banda mais famosa do mundo. Para músicos da geração de Page, eles mostraram que um grupo de rock podia crescer de single em single, dominar o estúdio, mudar de linguagem e arrastar o público junto. A cada fase, pareciam abrir uma porta diferente.
O Led Zeppelin não soava como os Beatles, e essa comparação direta sempre empobrece os dois lados. Page, Plant, Jones e Bonham caminhavam para outro tipo de força: blues amplificado, peso, improviso, volume e uma presença física muito diferente da dos quatro de Liverpool. Ainda assim, a liberdade que os Beatles ajudaram a tornar possível fazia parte do ar que todos respiravam.
Quando os Beatles se separaram em 1970, Page já estava mergulhado na ascensão do Led Zeppelin. Mesmo assim, a notícia não passou por ele como simples troca de guarda entre décadas. Em 1972, segundo a Far Out, ele falou sobre o assunto ao The Bombay Times com admiração aberta: "Eles são grandes. Na verdade, são os maiores. Ficamos tristes quando eles terminaram, porque juntos produziram a música mais fantástica."
O Zeppelin era um fenômeno, vendia discos em massa e lotava arenas, mas ele ainda olhava para os Beatles como uma força criativa que não havia sido substituída de forma simples. O que parecia impressioná-lo não era apenas o sucesso. Os Beatles tinham atravessado fases muito diferentes em poucos anos, saindo do pop direto e luminoso do começo para discos cada vez mais ambiciosos. Para alguém como Page, que sempre pensou em timbre, produção, dinâmica e construção de álbuns, essa evolução importava tanto quanto as melodias.
A separação dos Beatles doeu justamente porque aquele laboratório coletivo deixou de existir. Cada integrante seguiria carreira própria, mas a combinação entre Lennon, McCartney, Harrison e Starr havia criado uma química impossível de repetir por decreto. Page entendia isso melhor do que quase ninguém. Anos depois, o próprio Led Zeppelin também se tornaria uma banda que não poderia simplesmente trocar uma peça e continuar como se nada tivesse acontecido.
No fundo, sua tristeza pelo fim dos Beatles dizia menos sobre nostalgia e mais sobre reconhecimento. Page não estava lamentando apenas a perda de um grupo famoso. Estava falando de uma banda que, para ele, havia produzido música fantástica enquanto mostrava ao rock que ainda havia muito espaço para mudar.
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