A banda clássica que Pete Townshend descartou como uma "paródia do rock"
Por Bruce William
Postado em 24 de setembro de 2026
Pete Townshend nunca teve grande dificuldade para dizer quando uma banda não lhe agradava. Ao falar sobre o Kiss, porém, ele foi além da simples antipatia e tratou a proposta do grupo como algo quase incompatível com sua própria ideia de rock.
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Em entrevista concedida em 2014 ao Something Else, o guitarrista do The Who destacou primeiro o quanto considerava o Kiss um fenômeno essencialmente americano. Para ele, a mistura de maquiagem, personagens, teatralidade e excesso visual estava muito mais ligada a referências como Las Vegas e Mardi Gras do que ao ambiente musical britânico em que o The Who havia surgido.
"Uma coisa que o Kiss absolutamente não é, em nenhum sentido, é europeu ou inglês", afirmou Townshend. Segundo ele, uma banda daquele tipo dificilmente teria surgido da mesma maneira no Reino Unido. Mesmo que uma formação visualmente semelhante aparecesse em algum lugar da Europa, imaginava que a música seria outra.
A crítica ficou mais pesada quando ele voltou aos primeiros anos do grupo. Townshend disse que havia "uma espécie de paródia do rock" em toda aquela presepagem que o Kiss fazia e também demonstrou incômodo com o fato de os integrantes adotarem disfarces e personagens para esconder suas identidades.
A visão era quase o oposto daquela cultivada por Gene Simmons e Paul Stanley. Desde o início, o Kiss tratou o palco como parte inseparável da música, com figurinos, maquiagem, explosões e personagens pensados para ampliar a experiência do público. Essa combinação ajudou a banda a se destacar rapidamente no mercado americano dos anos 1970.
A ironia é que o próprio The Who exerceu influência importante sobre esse tipo de espetáculo. Gene Simmons já citou Townshend destruindo guitarras como uma lição de presença de palco e teatralidade, algo que o Kiss levaria ainda mais longe anos depois.
Townshend, porém, nunca pareceu muito disposto a aceitar essa descendência estética como elogio. Para ele, o Kiss transformava em personagem e espetáculo justamente aquilo que preferia enxergar no rock como algo mais direto e autêntico.
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