O baterista que fez Neil Peart se questionar se ele ainda conseguiria tocar
Por Bruce William
Postado em 08 de julho de 2026
Neil Peart era o tipo de músico que muita gente colocava em um pedestal. No Rush, ele transformou a bateria em parte central da arquitetura das músicas, com viradas complexas, precisão quase cirúrgica e uma ambição que ajudou a definir o rock progressivo da banda. Ainda assim, ele nunca pareceu confortável com a ideia de simplesmente descansar em cima da própria reputação.
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No fim dos anos 1980, Peart começou a sentir que sua forma de tocar tinha ficado rígida demais. Depois de anos trabalhando com sequenciadores e click tracks, ele havia desenvolvido uma noção muito precisa de tempo, mas passou a enxergar nisso também uma limitação.
O próprio Peart falou sobre esse incômodo no documentário "Beyond the Lighted Stage", conforme relembrado pela Far Out: "Comecei a ficar em conflito com minha própria bateria naquele ponto", disse ele. "Eu vinha trabalhando tanto com sequenciadores e click tracks havia tantos anos, e tinha desenvolvido uma certa precisão de tempo, mas sentia uma certa rigidez por causa disso."
A virada veio depois de uma homenagem ao baterista de jazz Buddy Rich. Peart encontrou Freddie Gruber, professor conhecido por trabalhar a musicalidade e a fluidez dos bateristas, e decidiu repensar sua abordagem. Não era uma questão de desaprender tudo, mas de colocar mais respiração e humanidade em uma técnica que já era absurda.
A decisão não foi simples. "Eu tinha tempo, então pensei: 'Sim, vou tentar isso'", lembrou Peart. "Não para fazer parecer fácil, porque quando estudei com Freddie, perguntei a mim mesmo: 'Será que eu realmente consigo fazer isso? Vou ter disciplina?'"
Gruber ajudou Peart a olhar menos para a batida como uma sequência exata de pancadas e mais para o espaço entre elas. A bateria continuava reconhecível, mas ganhou outro balanço, com mais atenção ao movimento interno da música. Para alguém acostumado a ser visto como mestre da precisão, era quase começar de novo por outro ângulo.
No começo, Peart chegou a se frustrar quando seus colegas de Rush disseram que não percebiam tanta diferença. Mas, quando voltaram a tocar juntos, a mudança apareceu no conjunto. A fase posterior da banda trouxe um baterista ainda técnico, mas mais atento à dinâmica, ao peso certo de cada ataque e à forma como a música respirava.
É por isso que a história diz tanto sobre Peart. Mesmo depois de conquistar um lugar entre os maiores bateristas do rock, ele ainda aceitou encarar a dúvida básica de qualquer aprendiz: "Será que eu consigo?" Para ele, ser grande nunca significou parar de estudar.
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