O guitarrista que James Hetfield queria ter sido antes de criar o Metallica
Por Bruce William
Postado em 07 de julho de 2026
James Hetfield ficou conhecido como o centro de gravidade do Metallica. Mesmo sem correr pelo palco como um frontman acrobático, ele construiu uma presença enorme com a mão direita, a voz seca e a postura de quem parecia segurar a banda inteira pelo riff. Mas, antes de encontrar esse papel, ele teve outro modelo em mente.
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O nome era Angus Young. Para muita gente, o guitarrista do AC/DC representa uma fantasia quase perfeita de rock and roll: riffs diretos, energia física, uniforme escolar, solos incendiários e uma capacidade rara de transformar simplicidade em espetáculo. Nada ali parecia calculado demais, e talvez fosse justamente esse o encanto.
Hetfield relembrou em entrevista à Classic Rock que já era fã do Aerosmith quando foi ver o AC/DC com o irmão mais velho. Ele ainda não tinha dimensão do quanto a banda australiana era especial até ver Angus em ação. "Eu era muito fã do Aerosmith, mas não fazia ideia de que o AC/DC era tão legal. Fui vê-los com meu irmão mais velho, e me lembro dele apontando para Angus e dizendo: 'Aquele carinha correndo por aí era irritante'. Mas eu queria ser aquele cara."
A frase, resgatada pela Far Out mostra que o que ele Hetfield queria acabou sendo bem diferente do que aconteceu, pois ele virou quase o oposto de Angus em termos de movimentação. O Metallica sempre teve uma energia mais pesada e concentrada, menos baseada em correr pelo palco e mais em fazer o riff bater com precisão brutal. Ainda assim, a influência do AC/DC aparece em outro lugar: na força da repetição, do groove e da música construída para atingir direto o corpo.
Isso ficou mais claro em fases como "Load", quando o Metallica se aproximou de riffs mais sujos, arrastados e cheios de balanço. Não era uma tentativa de copiar o AC/DC, mas de absorver uma filosofia parecida: a de que uma boa ideia de guitarra não precisa ser complicada para dominar uma música.
Hetfield talvez nunca tenha virado Angus Young no palco. Mas levou adiante, à sua maneira, aquela impressão de juventude: a de que um guitarrista pode comandar uma multidão quando encontra o riff certo. O AC/DC fazia isso com festa e eletricidade; o Metallica faria com peso, tensão e uma disciplina quase militar.
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