O melhor álbum de Phil Collins de todos os tempos, segundo o próprio artista
Por Gustavo Maiato
Postado em 16 de agosto de 2026
Phil Collins nunca foi dado a se autoproclamar um dos maiores artistas de sua geração. O que ele fez, no entanto, foi garimpar décadas de carreira para reunir em um único lugar aquilo que considerava seu trabalho mais representativo. Em 2004, lançou "Love Songs…", uma compilação de baladas autorais e covers que o próprio músico descreveu como "meu melhor trabalho" - e a escolha diz muito sobre o tipo de artista que ele sempre quis ser.
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A declaração veio em entrevista concedida na época do lançamento. "O álbum é algo em que venho trabalhando por quatro ou cinco anos", disse Collins. "É reunir em um só lugar, em termos de canções de amor, o que acredito ser meu melhor trabalho, e também algumas coisas que você pode ter perdido, porque estão em álbuns que não foram tão bem."
A admissão é reveladora: Collins não estava apenas celebrando seus maiores sucessos, mas resgatando canções que considerava injustiçadas pela performance comercial dos discos em que apareceram.
Tim Coffman, da Far Out Magazine, autor do texto que resgata a história do álbum, observa que Collins sempre se definiu primeiramente como baterista - e que sua carreira solo funcionou quase como um bônus não planejado.
Quando gravou "In the Air Tonight", ficou claro que havia algo além do músico de apoio escondido atrás da bateria do Genesis. As baladas que vieram depois, muitas delas nascidas de separações e perdas pessoais, tornaram-se sua marca mais duradoura.
Metade de "Face Value", seu disco de estreia, foi escrita durante o divórcio da primeira esposa. "Against All Odds", um de seus maiores sucessos, é, nas palavras do jornalista, "o som de alguém tentando recolher os pedaços da própria alma depois de ver o outro ir embora."
"Love Songs…" não foi pensado como uma coletânea de hits convencional. Collins já tinha compilações desse tipo no currículo. A ideia aqui era outra: reunir as canções sentimentais em um único volume e dar visibilidade a faixas que haviam passado despercebidas. Para o fã casual, o disco servia como porta de entrada pelos clássicos conhecidos. Para quem já acompanhava a carreira, havia surpresas - como a versão de "True Colors", de Cyndi Lauper, e uma releitura de "I've Been Trying", de Curtis Mayfield.
O que a escolha de Collins revela, segundo Coffman, é o tipo de legado que ele queria deixar. Muitos artistas de rock evitavam o sentimentalismo como se fosse fraqueza. Collins nunca teve esse pudor - e "Love Songs…" é a síntese mais direta dessa postura. Não é o disco mais ambicioso que ele já fez, nem o mais inovador. É o que ele escolheu para dizer: é isso que eu sou.
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