O "Freddie Mercury" do grunge, de acordo com Chris Cornell; "ele já era um rockstar"
Por Bruce William
Postado em 07 de julho de 2026
O grunge costuma ser lembrado como uma reação ao brilho exagerado do rock de arena dos anos 1980. Em vez de maquiagem, pose e espetáculo, a cena de Seattle parecia apostar em roupas comuns, peso sujo e uma certa recusa em parecer grande demais. Mas essa imagem nunca contou a história inteira.
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Antes de Nirvana, Pearl Jam e Soundgarden mudarem o rock dos anos 1990, Seattle já tinha figuras que misturavam peso, deboche e teatralidade. Uma delas era Andrew Wood, vocalista do Mother Love Bone. Para Chris Cornell, ele tinha algo que o aproximava mais de Freddie Mercury do que do estereótipo abatido que depois seria colado ao grunge.
Cornell falou sobre Wood em entrevista à Rolling Stone em 2016. Os dois foram próximos e chegaram a dividir apartamento em 1988, quando o Soundgarden ainda crescia e o Mother Love Bone reunia nomes como Jeff Ament e Stone Gossard, futuros integrantes do Pearl Jam. "Andy era efervescente", disse Cornell. "Ele era muito carismático e engraçado, meio brincalhão, mas também autodepreciativo, ao mesmo tempo em que era esse rockstar maior que a vida. Ele agia do jeito que imagino que Freddie Mercury agia quando vejo documentários sobre os primeiros anos do Queen. De certa forma, ele estava criando a própria realidade."
Cornell completou a lembrança com uma frase que resume bem a aura de Wood: "Na cabeça dele, ele já era um rockstar, e estava esperando o resto do mundo descobrir."
O Mother Love Bone parecia mesmo caminhar em uma direção diferente. Enquanto parte do rock alternativo se afastava do visual espalhafatoso, Wood abraçava o lado glam, colorido e teatral da coisa. A banda tinha riffs pesados, mas também uma ambição mais luminosa, quase de arena, que a separava de muitos colegas da cena, relembra a Far Out.
A trajetória foi interrompida cedo demais. Wood morreu em 1990, aos 24 anos, vítima de overdose de heroína, poucas semanas antes do lançamento do álbum "Apple". Cornell depois ajudaria a formar o Temple of the Dog com Ament e Gossard em homenagem ao amigo, enquanto o Alice in Chains também lembraria Wood em "Would?", lançada em 1992.
A comparação com Freddie Mercury não significa que Wood cantasse ou compusesse como o líder do Queen. O ponto estava na presença, na fantasia e na confiança de quem parecia viver no palco antes mesmo de o mundo confirmar aquela imagem. Em uma cena que ficou marcada pela aversão ao exibicionismo, Andrew Wood talvez tenha sido o rockstar que Seattle quase teve.
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