A banda dos anos 90 que Geddy Lee acredita que terá músicas lembradas para sempre
Por Bruce William
Postado em 24 de agosto de 2026
Geddy Lee acompanhou com atenção a explosão do rock de Seattle nos anos 1990, ainda que tenha admitido que Neil Peart era o integrante do Rush mais mergulhado naquela nova cena. Entre Nirvana, Pearl Jam e outras bandas que mudaram o panorama do rock, uma delas chamou especialmente sua atenção: o Soundgarden.
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Em sua autobiografia, "My Effin' Life", Lee destacou a força e a construção das músicas do grupo. Para ele, enquanto o Nirvana tinha uma abordagem mais solta e quase caótica, o Soundgarden chamava atenção pela combinação de peso, estrutura e arranjos menos óbvios. O baixista apontou especialmente "Badmotorfinger", de 1991, como o momento em que todos esses elementos passaram a funcionar juntos de maneira excepcional.
A admiração voltou a aparecer quando o Soundgarden entrou para o Rock and Roll Hall of Fame em 2025, lembra o Rock And Roll Garage. Lee participou de depoimentos usados na homenagem e destacou praticamente cada setor da banda: os riffs de Kim Thayil, a bateria discreta e precisa de Matt Cameron e, principalmente, Chris Cornell.
"Eu consigo cantar agudo, mas, cara, aquele sujeito conseguia cantar realmente alto e também descer. Ele tinha muita alma", afirmou Lee sobre Cornell. O elogio não ficou restrito à extensão vocal: para o músico do Rush, Cornell sabia exatamente como usar a própria voz dentro de cada composição.
Matt Cameron também recebeu uma definição interessante. Lee o chamou de um dos bateristas menos exibicionistas do rock, alguém que não precisava chamar atenção para si e "descobria exatamente onde precisava estar" dentro de uma música. A observação ajuda a explicar por que o Rush enxergava mais no Soundgarden do que simplesmente a agressividade associada ao grunge.
"Badmotorfinger" já mostrava bem essa combinação. Lançado em 1991, o álbum trouxe faixas como "Rusty Cage", "Outshined" e "Jesus Christ Pose", misturando riffs pesados, afinações pouco convencionais e compassos irregulares sem perder impacto. O próprio Rock and Roll Hall of Fame aponta o disco como um dos trabalhos que ajudaram o Soundgarden a ampliar as possibilidades do rock moderno.
Lee foi ainda mais longe ao falar sobre o legado da banda: "Eles criaram obras que viverão para sempre como grandes obras-primas do rock." Para alguém cuja própria carreira atravessou cinco décadas, não é exatamente um elogio pequeno.
O tempo já começou a testar a previsão. Mais de três décadas depois de "Badmotorfinger" e "Superunknown", o Soundgarden continua sendo citado não apenas como parte da explosão grunge, mas como uma banda cuja música sobrevivia muito bem mesmo fora daquele contexto. Para Geddy Lee, isso não aconteceu por acaso.
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