O ícone country que levou Paul McCartney a formar o Wings após o fim dos Beatles
Por Bruce William
Postado em 06 de julho de 2026
Depois do fim dos Beatles, Paul McCartney tinha dinheiro, fama, repertório e liberdade para fazer praticamente qualquer coisa. Mesmo assim, havia um problema difícil de resolver: como seguir em frente depois de ter feito parte da banda mais importante do mundo? Lançar discos solo era uma opção óbvia, mas Paul ainda sentia falta de estar em uma banda.
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Ele já havia colocado "McCartney" no mundo em 1970 e, no ano seguinte, lançado "Ram" ao lado de Linda McCartney. Ainda assim, alguma coisa faltava. O trabalho solo dava autonomia, mas não substituía completamente aquela dinâmica de grupo, com pessoas tocando juntas, errando juntas e descobrindo uma identidade no caminho.
A resposta começou a aparecer de um jeito inesperado: pela televisão. Em entrevista à Mojo repercutida pela Far Out, McCartney contou que estava assistindo a um programa com Linda quando viu Johnny Cash tocando com uma nova formação ao lado de Carl Perkins. Aquilo mexeu com ele.
"Johnny Cash apareceu na televisão com uma nova banda que havia formado com Carl Perkins", lembrou Paul. "Lá estavam eles, tocando com alguns músicos country de quem eu nunca tinha ouvido falar, parecendo estar se divertindo." O detalhe dos músicos pouco famosos foi decisivo. McCartney percebeu que talvez não precisasse montar uma superbanda para voltar a se sentir parte de algo.
Cash já era um gigante da música americana, e Carl Perkins também carregava enorme peso histórico. Mas a banda em volta deles não era formada por nomes que dominavam manchetes. Eram músicos tocando, funcionando, criando clima. Para Paul, aquilo abriu uma terceira possibilidade: nem carreira solo tradicional, nem grupo de astros tentando competir com a sombra dos Beatles.
Foi daí que nasceu a ideia do Wings. McCartney descreveu a decisão como "um verdadeiro ato de fé" em suas canções e nas pessoas que escolheu para acompanhá-lo. "Foi quando percebi que talvez houvesse uma terceira alternativa: formar uma banda que não fosse imensamente famosa e não me preocupar se não soubéssemos o que estávamos fazendo."
A primeira formação reuniu Paul, Linda, o guitarrista Denny Laine e o baterista Denny Seiwell. O álbum de estreia, "Wild Life", saiu ainda em 1971 e não foi recebido como uma obra-prima imediata. Mas o Wings cresceria aos poucos, mudaria de formação e acabaria dando a McCartney uma segunda vida como líder de banda, com discos e turnês gigantescas ao longo dos anos 1970.
Então a influência de Johnny Cash não veio de uma canção específica, mas de uma atitude. Paul viu um artista consagrado tocando com naturalidade, sem precisar cercar-se apenas de estrelas, e entendeu que podia tentar algo parecido. Depois dos Beatles, isso talvez fosse exatamente o que ele precisava: uma banda imperfeita, real e capaz de começar de novo.
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