Os guitarristas que para Angus Young fazem os melhores solos do rock com menos de três notas
Por Bruce William
Postado em 03 de julho de 2026
Angus Young nunca construiu sua reputação tentando parecer o guitarrista mais técnico do mundo. O AC/DC sempre funcionou em outro território: riffs diretos, solos curtos, pegada forte e aquela sensação de que o rock and roll não precisa de manual de instruções para funcionar.
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Por isso, quando fala sobre seus guitarristas preferidos, Angus costuma valorizar menos a quantidade de notas e mais o efeito que elas causam. Segundo a Far Out, ele citou dois deles como exemplos de solistas capazes de dizer muito sem encher a música de pirotecnia. "Para mim, alguns dos maiores solos são de caras como Freddie e Albert King, e eles mal estão tocando três notas."
A frase resume bem a filosofia de Angus. Para ele, muitos guitarristas modernos soam como se estivessem apenas reproduzindo escalas ensaiadas. Nada contra estudar, claro. Mas, quando o solo parece mais exercício do que música, alguma coisa se perde. Os Kings, por outro lado, vinham de uma escola em que cada nota precisava carregar peso, dor, balanço e intenção.
Freddie King foi um dos grandes nomes do blues elétrico, com uma maneira de tocar que influenciou diretamente o rock. Albert King, por sua vez, tinha uma abordagem ainda mais singular: canhoto, tocava uma guitarra para destros virada ao contrário, sem inverter a ordem das cordas. O resultado era um fraseado cheio de bends enormes e ataques reconhecíveis em poucos segundos.
Essa linhagem ajuda a entender o próprio Angus Young. Seus solos no AC/DC raramente tentam desmontar a teoria musical. Eles entram como faíscas dentro da música, quase sempre presos ao riff, ao pulso e ao espírito da canção. Mesmo quando acelera, Angus continua ligado ao blues e a Chuck Berry, mais interessado em levantar a plateia do que em vencer uma olimpíada de digitação no braço da guitarra.
Não que técnica em si seja algo completamente desprezível. É que Freddie King, Albert King e Angus Young sabiam exatamente o que estavam fazendo. A diferença está em colocar a técnica a serviço da expressão. Um solo memorável não é necessariamente o mais cheio; é aquele que o ouvinte consegue cantar, lembrar e sentir.
Resumindo, Angus defende uma ideia simples: guitarra boa não precisa falar demais. Às vezes, três notas certas valem mais do que trinta notas rápidas. Freddie King e Albert King provaram isso no blues. Angus levou a mesma lição para o hard rock, com uniforme escolar, duck walk e amplificador no talo.
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