A opinião nada carinhosa de Ian Anderson sobre uma banda clássica do progressivo setentista
Por Bruce William
Postado em 27 de agosto de 2026
Ian Anderson passou boa parte da carreira convivendo com o rótulo de rock progressivo sem demonstrar grande entusiasmo por ele. O Jethro Tull acabou associado ao gênero, mas seu líder sempre fez questão de lembrar que a banda circulava também por folk, hard rock, blues e outras referências. Quando o assunto chega a grupos como Genesis e Emerson, Lake & Palmer, sua posição fica ainda mais clara.
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Em entrevista ao Louder, Anderson relembrou o momento em que o progressivo começou a ganhar contornos mais grandiosos no começo dos anos 1970. Segundo ele, com a chegada de nomes como ELP e Genesis, o estilo já começava a exagerar na própria fórmula.
"Eu nunca fui fã do Genesis, mas a musicalidade deles era incrível", afirmou. A crítica, portanto, não estava na capacidade técnica dos músicos, mas no tipo de música que produziam e na aura de excesso que cercava parte daquela cena.
A relação de Anderson com o Genesis era cheia dessas contradições. Em outra ocasião, ele chegou a destacar Tony Banks como o integrante mais talentoso do grupo, reconhecendo a importância do tecladista mesmo sem esconder que a banda como um todo nunca esteve entre suas preferidas.
Essa implicância também aparece na história de "Thick as a Brick", lançado pelo Jethro Tull em 1972. Anderson já explicou que o disco funcionava como uma paródia dos álbuns conceituais cada vez mais longos e pomposos daquela época, citando nominalmente Yes, King Crimson e o Genesis do início como exemplos do que pretendia satirizar.
A ironia é que "Thick as a Brick" acabou sendo consagrado justamente como um dos grandes trabalhos do rock progressivo. Anderson tentou zombar de alguns excessos do gênero e terminou criando um álbum que passou a ser tratado como clássico dentro da mesma categoria.
Décadas depois, sua avaliação sobre o Genesis continuou seguindo a mesma linha: respeito enorme pela competência musical, pouca identificação com o resultado. Para Anderson, talento nunca foi o problema - o problema era o que aquelas bandas faziam com ele.
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